Mal acostumado
Não, já não sei mais viver sem te ver, se é que não te ver é de alguma forma viver e não sobreviver.
No frio desta cidade só teu calor me aquece; roupa nenhuma supera o aconchego da tua presença.
Eu me acostumei com teu abraço e colo antes de sair ou pouco antes de ir dormir.
Como seria voltar pra casa e ao trocar de roupa não sentir teu perfume na gola da minha camisa?
Me acostumei com um conforto que transcendeu tudo aquilo que eu conhecia como confortável.
A rotina de ouvir tua voz no interfone é como um sopro de esperança e vida a cada dia que tenho a dádiva de ouvir.
Tenho me adaptado a ouvir o detestável som do despertador me lembrando que ali não é minha morada.
Me adaptei a entrar no elevador vendo você silenciosamente dizer que me ama pois vivo com a esperança de que em um curto espaço de tempo eu estarei vendo você abrir aquela porta amarela trancada a chave tetra.
Mas e quando sairmos junto dali, carregando suas malas, sabendo que não voltaremos a chamar o elevador, de que não estamos saindo pra passear ou apenas almoçar? E quando eu te (ou)vir dizer que me ama e souber que não serão alguns poucos dias separando nossos olhares?
Em questão de minutos, eu passarei a odiar aquele aeroporto que te trouxe a mim mas agora te rouba, ainda que eu saiba que você irá voltar, mas de forma tão breve quanto a neblina que atrasa os voos dali.
Eu fiquei mal acostumado com tudo que envolve você. Mas não que isso seja de todo ruim.
Amor, me acostumei com você.
Stephen S. M.
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