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Última segunda-feira do ano. Perto da meia noite, muitas pessoas abraçadas aguardando o que pra elas é a virada do ano. Elas esperam fogos, estouram champagnes e espumantes, comem e festejam em grupos pequenos ou grandes. Sinceramente, eu já nem via mais graça nisso tudo. Nada nunca mudava de forma significativa. Mas nada é pra sempre, não é mesmo?

Minha virada de ano aconteceu mesmo foi lá atrás, dia 17 de março, também em uma madrugada. A gente começou a virar as coisas, nossas bagunças, medos, sentimentos e viramos a noite. Virei às costas para o medo para poder cumprimentar a coragem e te propus o que para você já era certo. Foi ali, naquele seu intrépido sim sem titubear que meu ano virou. E eu nem fazia ideia de como.

Novos planos surgiram, coisas mudaram, se resolveram, tornei-me melhor. Realmente descobrir o amor nos muda.
Você virou minha rotina, independente de quão corrido ou puxado fosse meu dia sempre tinha um espaço pra nós (embora eu não raramente dormia no meio de nossas conversas, mas ah, você fazia o mesmo). Você quase cruzou o país pra me conhecer, pra gente passar um tempo juntos, e nossa vida foi acontecendo em meio a tudo isso. Saímos, passeamos, comemos coisas diferentes. Você conheceu e ganhou uma nova família. Você virou parte dos almoços de Domingo, virou o rosto mais distinto em meio às milhares de pessoas dentro daquela Universidade, virou o número de apartamento preferido do meu ano.

E o garoto certinho matou aula pra cruzar a cidade duas vezes pois aprendeu que existem coisas mais valiosas na vida do que o sentimento de responsabilidade contínua, foi dormir mais tarde várias vezes mesmo sabendo que estaria morto no dia seguinte no trabalho. Fez algumas loucuras, se divertiu, viveu como nunca. Ou melhor: finalmente viveu. A vida parece ter começado só agora, tudo parece começar a ter sentido e propósito desde a virada de ano. E logo eu que nuca acreditei em resoluções de fim de ano passei a acreditar nelas. Logo eu que há um ano atrás achava estar finalmente trilhando o que achava ser um bom caminho, achava que meus sonhos de ano novo eram bons descobri, graças a Deus, que às vezes, dar tudo errado é a melhor e mais certa coisa a nos acontecer. Quem somos nós diante das surpresas da vida, não é mesmo?

A gente mudou, cresceu, se envolveu. Você criou um novo calendário, onde 31 de Dezembro é apenas um dia festivo, nem parece mais virada de ano. Afinal, meu bem, virada de ano mesmo foi o que você fez quando me disse sim.

Quando é que faremos nossa próxima virada de vida mesmo?




Stephen S. M.



Não, eu nem tento lutar
Pois ainda que tentasse
Eu perderia

Eu não vou lutar
Não por ser covarde
Mas por não querer

E ainda que quisesse
Certamente falharia
Não tem como não perder

E ainda bem que não posso ganhar esta luta
Luta que não existe pois eu não ousaria
Levantar uma espada contra este amor

Você, meu amor, possui espada de dois gumes
Com um lado, do amor, você derrota meus medos
E com o outro, da saudade, estilhaça meu peito

Você já me tem, não há mais o que fazer
Me entrego facilmente a você
Não sou mais dono do meu eu

Me render é sensatez
Me entregar é poupar a vida
Afinal, me afastar de você é suicídio

Pois se é você quem faz meu coração bater
E meu peito respirar
Lutar contra você é contra minha vida atentar



Stephen S. M.


Nosso encontro foi imperfeitamente perfeito. Meus olhos te captaram sem nenhuma dificuldade e sou incapaz de afirmar se houve amor à primeira vista, porque -ainda- não provei do teu amar.

- Desejo à primeira vista pode ser melhor definido, neste caso. -


Tuas palavras contornavam meus ouvidos e entre arrepios, aqui e ali, eu te queria mais e mais. De acordo com os fatos, nossas bocas se encaixaram como se tivessem sido feitas uma para a outra. Teu eu tinha sido feito sob medida para o meu. Não precisei nem sequer ler o manual de instruções, até porque prefiro não seguir regras. Quebrei elas com você.

Também quebrei os minutos do relógio. Nosso tempo tinha acabado.

- Ou talvez tivesse acabado de começar. -

Eu fui embora sem deixar um bilhete, mas quando fui, não queria ter ido. Eu fui, com a intenção de voltar. Eu fui, querendo ficar. Eu fui, mas te prometo, ainda volto para tirar todo o teu ar.

- Desejo à última vista pode ser melhor definido, neste caso. -

- Amanda Trevisani

Não deu tempo de ficarmos juntos. E contra o tempo, não se pode lutar. Ele corre e a gente corre também.

Não deu tempo de vivermos o futuro juntos. Mal deu tempo de vivermos o presente. Não deu tempo de você ver a mulher que me tornei.

Não deu tempo de lutarmos a favor do tempo e não deu tempo de o tempo estar a nosso favor. Mas deu tempo de chover. Te digo, choveu bastante aqui dentro pra combinar com o tempo dessa cidade lá fora.

Talvez tenhamos dado pouco tempo ao tempo, e por isso ele passou correndo e nem notamos.

Não deu tempo de construirmos um novo tempo. Mas deu tempo de dizer adeus.

Talvez a gente só tenha parado de gastar tempo com algo que já não dava mais certo fazia muito tempo.

Talvez a gente só tenha tentado lutar demais contra o tempo. E contra o tempo, não se pode lutar. Ele corre e a gente corre também.

- Amanda Trevisani

 



Nós somos acostumados a odiar a rotina. Quem sabe até faça sentido lá no fundo, afinal, qual o sentido de empenhar todos os dias da sua vida em uma interminável e repetitiva atividade?
Desde que você chegou, tornou-se minha rotina. Quase tudo mudou por sua causa: tive que me adaptar, redefinir prioridades, deixar algumas coisas de lado para ganhar muitas outras. Não, nada disso era ruim: na verdade, era excelente. Você se tornou minha maravilhosa rotina, e eu amava ela.
Mas eu havia ignorado o fato de que esta rotina seria quebrada e, diferente das outras rotinas, quebrá-la foi penoso. Eu achava saber o que era dor, mas no momento que você partiu, percebi que eu nunca havia conhecido dor de verdade e, desde que você foi embora, nada mais é como antes, nada volta ao lugar de sempre.
Não tenho mais você me aguardando após a aula com um copo de chocolate quente, um beijo e um sorriso pra nos aquecer e um pão de queijo para que não fôssemos pra casa com fome;
As salas ficam vazias e frias sem você sentada ali na mesa do professor, estudando com suas várias canetinhas coloridas e folhas espalhadas pela mesa. Nesta cena você era meu refúgio nas vezes que eu saia cansado no meio da aula para lhe dar um abraço longo a fim de me recuperar e encarar o resto das aulas. E eu não tenho mais este refúgio;
Não tenho mais com quem compartilhar pessoalmente como foi meu dia em troca de um olhar interessado e apaixonado sendo interrompido por delicados beijos entre frases sucedidos do seu maravilhoso sorriso;
Fiquei sem "meu cantinho" no seu ombro pra descansar e sem aquele abraço deitados na cama que me abrigava quando a vida parecia uma onda tentando me naufragar;
Dirigir pela cidade não me traz mais prazer sem poder repousar minha mão na sua perna e sentir sua mão passeando pela minha nuca ou me fazendo cafuné e me mantendo calmo enquanto dirijo. Desaprendi a dirigir sem teu doce perfume tomando conta do carro;
Semáforos vermelhos se tornaram penosamente longos, um desperdício de tempo sem os beijos que você me dava a cada vez que parávamos em um;
Os parques não mais possuem seu verde tão extasiante nem os pores do Sol aquarelando o céu com tons de rosa e laranja possuem arrebatadora beleza outrora vista. Eles apenas me trazem saudade;
Não tenho mais comigo quem me fez redefinir limites, planos e desejos nem quem dê risada das inúmeras piadas ruins que eu soltava diariamente;
Não tenho mais razão para acordar cedo no domingo e passar por aquelas mesmas ruas com o prazer de antes;
Não tenho mais de quem segurar a mão durante os cultos de domingo nem tenho mais como ouvir aquela doce voz cantando pertinho de mim;
Mas de toda essa quebra de rotina, a parte mais amarga talvez sejam meus almoços de domingo, pois agora, além da saudade, tudo o que resta diante de mim é uma cadeira vazia.


Stephen S. M.

Você era tudo o que eu mais queria, mas eu não era o seu maior desejo. Você era a minha esperança de que o amor enfim fizesse sentido, mas você não estava apaixonado por mim.

Talvez o meu erro tenha sido arriscar demais em situações que deveria ter arriscado de menos e arriscado de menos em situações que deveria ter arriscado demais.

Não posso voltar ao passado e o presente hoje, mudou. Meu subconsciente ainda imagina o que seria de nós se não fosse o medo de arriscar.

O que era óbvio para mim, talvez não fosse óbvio para você. O que era óbvio para você, talvez não fosse óbvio para mim. O óbvio precisa ser dito e o que se sente também.


Hoje, eu afirmo: o amanhã pode ser tarde demais.

- Amanda Trevisani



Eu sinto saudades do futuro
Sim, meu passado se tornou irrelevante
Já não mais ocupa lugar aqui

Pois o espaço que restava fora ocupado

Eu sinto saudades do futuro

De deitar na cama com você
E sentir um gostinho
Do que teremos pela frente

Eu sinto saudades do futuro
Saudades de experimentar
O que nunca provei
Mas é o que quero, e isso eu bem sei

Eu sinto saudades do futuro
De ser pego admirando
A maravilhosa imagem
Daquela que dividirá uma cama comigo

Eu sinto saudades do futuro

Saudades da sensação de que não dividirei uma cama
Nem uma casa apenas
Mas toda uma vida e quem somos

Eu sinto saudades do futuro

Saudades dos dias porvir
Onde não tinha mais alarme nem despertador
Que me separe do teu calor

Eu sinto saudade do futuro
Não gosto de viver às memórias

Das sensações e momentos que me lembram
O quão bom tua presença é

Eu sinto saudades do futuro

De experimentar semanalmente
O que planejamos e uma pequena parte
De tudo que viveremos

Eu sinto saudades do futuro

Como eu amo provar
Uma pequena fração
De tudo que Deus há de me dar

Eu sinto saudades do futuro

Saudades de viver minha vida
Que não será minha mais nossa
Pois meu futuro, meu bem, é com você.

E é por isso que eu sinto saudades do futuro
Pois sinto saudades do você

Saudade que sinto
Mesmo cinco minutos depois de te ver.


Stephen S. M.

Eu costumava ser o seu tudo,
hoje sou o seu nada.

Eu te amava!
Hoje caminhando sob a lua estrelada,
vi que brilhava muito mais.

Nem mais
nem menos.
Caminhei passos pequenos
para então me encontrar.

Não preciso mais ser seu lar.
Hoje sei me habitar,
sei onde trilhar,
sei onde brilhar.

Vejo um novo céu e
procurei o teu olhar.

No entanto, lembrei que
olhos passados
estão mergulhados
no mais profundo mar.

Do esquecimento.
Gritei por relento,
você não estava lá.
Lamento, hoje eu é que estou
do lado de cá.

Espero que vá e
não volte.
Frente a frente,
solte nossas correntes e
saia da minha mente.

Me liberto,
sou alguém certo de que deixou a coisa errada finalmente
ir embora.

Por hora, apaguei
à mercê.
Agora, me encontrei
sem você.

Se olhar para o alto
e um brilho enxergar,
sou eu
sou véu
sou céu.

Só não sou seu.

- Amanda Trevisani


Eu nunca lhe dei um mapa
Eu apenas te disse onde chegar e instruí sobre o que precisaria para a viagem

Embora parecesse saber melhor do que eu

Nunca lhe falei qual estrada pegar durante o caminho
Te dei apenas as direções para começar a viagem
E você foi sem nenhum mapa online nem GPS

Você parecia saber o caminho melhor do que eu
Sendo que esta rota era a minha rota
E você a trilhou melhor do que eu jamais trilhei

Quem é você? Já nos conhecíamos antes?
Você não se perdeu, soube ler o caminho
Seu instinto é um mapa perfeito

Como você observou tão bem o caminho
E tomou as decisões, mudou as rotas no ponto certo
Sem nunca ter antes passado por aqui?


Você dizia não saber o caminho
Mas por não ter medo e confiar
Chegou ao destino. Como?


Me explique, meu bem, como você conseguiu
Passear por mim, como você cruzou as estradas do meu corpo
Me fazendo sentir um estranho no meu próprio percurso

Me diga quem é você senão quem me conhece melhor do que eu mesmo
Ainda que jamais tivéssemos nos visto antes
Me diga, me ensine a viajar, pois está foi a melhor viagem de todas.




Stephen S. M


Teu corpo é estrada
Na qual eu viajo
Sem pagar pedágio
Trafego sozinho

Sem o traçado conhecer
Conduzo com cautela
Pois como em toda via
A segurança está nos limites dela

Como em qualquer outra
Retas são entediantes
Sem muito o que fazer
Quase durmo no volante

São das curvas que eu gosto
Mas nelas preciso ir devagar
A diversão está justamente
Em admirar a paisagem sem me apressar

Sem correr pra não me acidentar
Gosto até da sensação de pisar no freio
Devagar tenho mais chance
De admirar tudo e chegar inteiro

Talvez seja o perigo destas curvas
Que as torne tão prazerosas
Se para alguns isto é medo
Para mim é aventura valiosa

Diferente de qualquer outra estrada da vida
Desta pareço jamais me cansar
Afinal, são estes curvos caminhos
Que me levam para o meu lar.


Stephen S. M.

Confesso: nunca fui fã de contradições, ainda mais vindas de minha parte. Nunca as admirei, até agora. Hoje, eu só queria me contradizer.


Queria ser como o inverno que te congela no tempo. Mas queria ser como o verão que te queima.
Queria ser como o fogo que começa o teu incêndio. Mas queria ser como a chuva que o apaga. 
Queria ser como a água que mata a tua sede. Mas queria ser como o deserto que te deixa a desejá-la.
Queria ser como a luz que te acende. Mas queria ser como a escuridão que te cega.
Queria ser como o cigarro que põe entre os lábios. Mas queria ser como a nicotina que te mata.

O fato é que todas as situações dependem umas das outras. Nossa história não seria diferente, afinal, assim como eu preciso do teu caos, você precisa da minha calmaria.

O inverno congela, o verão queima.
A água é fundamental para a sobrevivência no deserto.
A luz ilumina a escuridão.
A nicotina presente em um cigarro pode levar a morte.

Eu que insisto em não fumar, hoje queria te tragar e respirar a fumaça de teus desejos.

Nós sabemos dos riscos. Sabemos que o cigarro pode matar e sabemos que pular de uma ponte também.

Hoje, nós pulamos de uma ponte com uma das mãos entrelaçadas e a outra com um cigarro entre os dedos. Nós sabemos o que poderia vir a acontecer, mas encaramos e assumimos os riscos.

Hoje, nós nos contradissemos. 
Mas falamos a mesma língua.

- Amanda Trevisani



Quando a saudade aperta e a fome diz "oi"
Parece haver um dia da semana pensado pra isso
Não sei se foi sempre assim ou se todos sentem esta necessidade
Mas ah, como é bom encher a casa

Talvez a gente não encha com pessoas
Pode ser que até sobre espaço
Na mesa de seis lugares esculpida na madeira
Mas isto não é problema
Se a casa estiver cheia

A impaciência de saber se a comida ficou boa
E se todos gostarão
Acordar um pouco mais cedo talvez
Pra acender o carvão
E preparar todos os mise en place
Receber as pessoas com um caloroso abraço
Talvez até mesmo com um beijo
Independente de como for
Como é bom encher a casa
Encher a casa com o cheiro de comida caseira

E sons de conversa e risadas
Ficar tempo sentado à mesa
Curtindo muito além da comida
Que embora seja muito boa
Talvez seja apenas pretexto

Para juntar todo mundo e matar a saudade
Não importa se é família de sangue

Amigo ou recém chegado na família
Quem sabe até mesmo um novo amigo
Não há nada tão familiar e aconchegante
Como um almoço de domingo.

Stephen S. M.


Não, já não sei mais viver sem te ver, se é que não te ver é de alguma forma viver e não sobreviver.
No frio desta cidade só teu calor me aquece; roupa nenhuma supera o aconchego da tua presença.
Eu me acostumei com teu abraço e colo antes de sair ou pouco antes de ir dormir.
Como seria voltar pra casa e ao trocar de roupa não sentir teu perfume na gola da minha camisa?
Me acostumei com um conforto que transcendeu tudo aquilo que eu conhecia como confortável.
A rotina de ouvir tua voz no interfone é como um sopro de esperança e vida a cada dia que tenho a dádiva de ouvir.
Tenho me adaptado a ouvir o detestável som do despertador me lembrando que ali não é minha morada.
Me adaptei a entrar no elevador vendo você silenciosamente dizer que me ama pois vivo com a esperança de que em um curto espaço de tempo eu estarei vendo você abrir aquela porta amarela trancada a chave tetra.
Mas e quando sairmos junto dali, carregando suas malas, sabendo que não voltaremos a chamar o elevador, de que não estamos saindo pra passear ou apenas almoçar? E quando eu te (ou)vir dizer que me ama e souber que não serão alguns poucos dias separando nossos olhares?
Em questão de minutos, eu passarei a odiar aquele aeroporto que te trouxe a mim mas agora te rouba, ainda que eu saiba que você irá voltar, mas de forma tão breve quanto a neblina que atrasa os voos dali.
Eu fiquei mal acostumado com tudo que envolve você. Mas não que isso seja de todo ruim.
Amor, me acostumei com você.

Stephen S. M.

Sem nunca antes ter tentado
Fiz como pelos outros foi mostrado
Subi as escadas do trampolim
Mal sabia o que aguardava por mim

Até a ponta dele caminhei
E mesmo com medo, pulei
Mas eu não sabia que pularia
Rumo aquilo que me machucaria

A piscina era rasa, não tinha profundidade
O mergulho parecia ser uma fatalidade
Ao fundo eu cheguei
E ali mesmo fiquei

Resgatado fui após quase me afogar
Jurei a mim mesmo ser sensato e nunca mais pular
De cabeça em uma piscina vazia
Meu desejo por salto ali terminaria

Mas descobri que eu não era meu dono
Pois não tardou até que doesse o abandono
Você lá de baixo me chamou
E de paixão meu peito se abrasou

Mesmo com medo resolvi não hesitar
Subi rápido, ansioso para pular
Confiei na sua voz
A ti me entreguei de maneira veloz

Em suas águas eu mergulhei
Pela falta de fé, pelo fundo esperei
Mas desta vez ele não chegou
Pois a piscina você com seu amor inundou

Feliz eu que arrisquei
De traumas antigos me livrei
Pulei de cabeça sem pudor
Mergulhei profundamente em seu amor


Stephen S. M.

Por favor, não olhe assim para mim
Não lance sobre mim este olhar
Apoiada na porta enquanto tento ir embora
Não tenho forças pra lutar contra seu desejo por mim
Preciso ir, já deu minha hora. Te prometo que nos veremos amanhã
Mas por favor, não me olhe assim apoiada na porta do seu ap

Não pisque para mim
Não me chame de volta sussurrando
Pois assim me rendo a ti
Você sabe como eu queria voltar
Ficar mais um pouco deitado com você

Sentir e deixar em mim mais um pouco do teu perfume
Deixar você sentir meu peito pular de paixão por ti
E tocar teu rosto macio e delicado

Não quero lembrar neste momento quão bom foi ter você em meus braços
Ou ouvir você cantar comigo enquanto sorria para mim naquele sofá
Definitivamente dispenso agora qualquer memória de tudo aquilo
Pois preciso ir para a casa, e infelizmente minha casa (ainda) não é nossa
Dolorido é abrir a porta daquele elevador, não para subir, mas para descer
Mas assim foi, é e será
Até que um dia, compartilhemos o mesmo lar.


Stephen S. M.

Eram mais de cem dias desde que esta contagem iniciou, entretanto, não tardou para que ela se resumisse a dois dígitos. Contávamos pacientemente ansiosos cada longa dezena. Eu mantinha a contagem na tela inicial do meu celular para sempre lembrar do que você me disse. A cada dezena que se findava nós sorríamos e o seu "estou chegando" era cada vez mais real. Enquanto isso, cada vez mais descobríamos coisas um sobre o outro, ou até mesmo sobre nós mesmos quando reparávamos nas nossas inúmeras semelhanças cautelosamente anotadas para que não nos esqueçamos o quão parecidos somos (oi, espelho meu).

Os dias passavam, se arrastavam como se quisessem postergar a melhor parte deles, a noite, quando a contagem diminuía enquanto nos víamos quietos e sorridentes pelo celular.
Quanto mais perto ficava, mais distante parecia. Por que o tempo cisma em desacelerar quando mais queremos que ele voe?
E falando em voar, você ia voar. Eu já sabia melhor do que você os dados do seu vôo.

Faltando um mês, percebemos que em quinze dias faltariam apenas quinze, e dentro de quinze dias, faltariam apenas quinze. Até que enfim, nossa última dezena de dias. Em breve a contagem se resumiria às horas restantes. Enquanto isso, você arrumava suas malas, tentava colocar o máximo de coisas para conseguir sobreviver aqui. Fazia sua lista e conferia pra ter certeza de que não esquecera de nada.

E de repente já não era mais sobre quantos dias faltavam, mas sobre quantas horas. A impaciência já tomara conta de mim enquanto eu me arrumava pra ir te buscar. Você tinha mandado mensagem avisando que havia embarcado no avião: você estava finalmente vindo.
Embora eu ame admirar os aviões na pista e no pátio, eu estava olhando impacientemente para a tela do aeroporto e do celular tentando acompanhar o status do seu voo. Eu queria saber exatamente qual era a aeronave na que você viria, já tinha decorado a matrícula dela. Minha vontade era de invadir a sala do controle e observar cada atualização de posição, cada fonia e pedir para a tripulação te anunciar que eu estava lá, aguardando sua chegada.


De repente lá estava ela com você dentro. Eu estava suando, mas não era de calor. Eu sabia que desceria um andar do aeroporto e dentro de alguns minutos, aquela porta abriria e você estaria ali. Tudo que sempre sonhamos e tanto falamos finalmente aconteceu. A porta se abriu, e você ali estava. Um abraço consolidava nossas expectativas. Até que enfim, em um abraço pude te olhar nos olhos e exclamar após um longo suspiro: "você chegou!".


Stephen S. M.

Tanto tempo aguardando
A espera estava findando
Só me restava esperar
Naquele saguão você chegar

Tantas coisas planejadas
Tantas lágrimas derramadas
A ansiedade não poderia me domar
Nem a pressa me controlar

Nada me restava fazer
Eu tinha que esperar você descer
Aquela porta tantas vezes se abria
Mas em nenhuma vez ela a mim te trazia

Subitamente por uma fresta passou
A deslumbrante imagem daquela por quem meu coração tanto aguardou
Finalmente pude dizer "eu sabia"
Minha mente pôde acreditar que você chegaria

Não sabia o que dizer
Faltam protocolos para o que deveria alí fazer
Me restava te abraçar e exclamar
Eu sabia que você iria chegar

Seja bem-vinda à sua nova morada
Que embora seja gelada
Há nela um lugar quente pra você se abrigar
Basta a mim você abraçar



Stephen S. M.

Abri o caderno e nem sei o que escrever. Só queria que as palavras mudassem meu jeito de ser e ver o mundo. Tão imundo.

As pessoas que aqui vivem, nem sei se são daqui.
Cansei, me doei, me entreguei e me permiti.
Cansei, me doei, me entreguei e me arrependi.
Dei a cara à tapa. Apanhei.

Apanhei sentimentos mentirosos e cheios de ódio. Ganhei o pódio de primeiro lugar na insana vontade de querer dormir e não mais acordar.
A bondade perdi com a idade. Hoje, só vejo a maldade.

Daqui em diante, esquecerei a saudade. Afinal, tudo já está muito distante.
E nesse instante, não me desnudo mais.


Apenas me auto acudo, me coloco no mudo e me mudo para um mundo melhor.

- Amanda Trevisani

Quando você se foi, mudei toda a decoração da casa. Troquei o sofá e a mesa de lugar. Troquei as fotos dos porta-retratos e dei para a vizinha alguns vasos de flores.

Joguei fora os lençóis que costumávamos deitar e os tapetes que sentávamos para nos abraçar. Troquei os quadros de parede e os livros das prateleiras. 

Mudei o rádio de estante e doei alguns discos das nossas bandas preferidas. Ele não tocava mais a nossa música, afinal, ela não era mais nossa.

Tinha de ver, não havia nenhum rastro de memória.

Quando você se foi, mudei toda a decoração da casa. Esqueci apenas que o lar da mente ainda abrigava tuas lembranças. Eu tentei te esquecer por fora, mas tive de aceitar que o teu eu ainda estava presente dentro de mim. Cabia ao tempo me ensinar a jogar as cinzas de um amor morto no passado.

Quando você se foi, eu decorei a casa. 
Mas no fundo, tudo o que eu queria fazer era queimá-la.

- Amanda Trevisani
     


     Equilíbrio é uma palavra que até pra falar, se não tiver cuidado, a língua embola. Se pra língua é difícil pronunciar, imagina pro cérebro e pro coração... 

     Encontrar o equilíbrio entre razão e emoção é o sonho da vida de muita gente, no entanto o que as pessoas não sabem é que elas não precisam ser reféns da relação desarmônica entre o coração e a mente delas a vida inteira. Nós não estamos condenados a viver eternamente com o desequilíbrio, porque ao contrário da ideia de "destino", ele pode e deve ser trabalhado, mudado... É claro, se tivermos força de vontade para sair da zona de conforto e lutar contra o maior gigante de nossas vidas: nós mesmos. 

     Minha professora de Psicologia me falou há um tempo atrás sobre aqueles monges que se isolam do mundo e vão para os montes meditar. Ela disse que parou para observar um deles uma vez e viu que ele estava meditando de baixo do sol muito forte com uma roupa escura e com um tecido muito grosso, e o que mais despertou admiração nela foi que o ambiente nada propício para uma meditação não o atrapalhava de forma alguma. E ela chegou a uma conclusão: quando conseguimos dominar a nós mesmos, nada consegue nos roubar de nós. 

     É muito difícil dominar a si mesmo, fazendo o coração e o cérebro dançarem no mesmo ritmo. Eu não consegui esse equilíbrio ainda e não estou nem perto, mas uma coisa eu sei: ele tem a ver com o autoconhecimento. Quando reconhecemos quais são nossos pontos fracos e nossos pontos fortes, podemos escolher qual deles vamos alimentar para nos fortalecermos diante da figura que nos é mais intimidadora: o nosso reflexo. 

     Somos movidos por emoções e muitas vezes nosso coração rege nossas escolhas, mas o coração não consegue fazer ponderações, médias, estatísticas, seleções... Isso é dever da mente. A mente que, por sua vez, não consegue olhar a situação com sensibilidade, com amor, com devoção... Perceberam? Um complementa o outro e juntos formam o trabalho perfeito. 

     É preciso fazer esses dois pararem de se bicar e entenderem que um sem o outro não funciona. Mas antes, quem precisa entender isso somos nós. Nós, que muitas vezes passamos por cima de valores, princípios e bases sólidas em prol de um "afeto" que muitas vezes foi passageiro e só nos fez mal. Nós, que agimos com a razão e perdemos aquela oportunidade única de demonstrar e receber amor porque estávamos fechados para o sentimento mais puro que existe. Nem a falta e nem o excesso são bons, o equilíbrio é o ideal. 

     Eu também estou em processo para atingir o tão sonhado equilíbrio, e acredito que a vida seja um processo infinito em que adquirimos aprendizagem. Mas nessa caminhada, se tem uma coisa que eu compreendi foi que a minha luta não é contra um sentimento, contra atitudes impensadas, contra indisciplina, contra a displicência... Nada disso! Eu entendi que a luta é contra mim mesma e eu só vou vencer naquilo que preciso vencer quando eu entender que tenho o poder para orquestrar todo caos que existe dentro de mim. 

Esse caos que existe no teu interior só irá se transformar em uma bela, harmônica e doce melodia quando entenderes que... O maestro à frente dessa orquestra é VOCÊ! 


- Brígida Gabriela
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Feito por pessoas comuns

Assim como você, sofremos com os dramas que a vida nos trás. Sejam eles dentro de relacionamentos, dentro de trabalho, dentro de faculdade... A vida é no entanto, meio dramática mesmo.
Escrever é observar os pequenos detalhes que podem tornar este drama, um clássico com premiação de tapete vermelho.

A IDEIA

Um lugar na internet, no qual você possa se sentir em casa. Possa ver um amigo através das palavras e um conforto no decorrer das frases. Os redatores vivem para escrever. Volta-e-meia corrigem a pontuação e vivem novamente só para ter uma nova história para contar.

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