Já te dei tanto sinal, que tô quase abrindo uma escola de idiomas pra ver se você fala meu dialeto.
Todas as minhas palavras tem significados nas entrelinhas e nessas linhas tentei deixar claro que eu talvez esteja gostando de você.
Mas sabe, não pela aparência.
Embora seus olhos me hipnotizem por inteiro, de cabeça a baixo, eu às vezes até acho que você deveria estudar meu idioma só pra saber que em cada linha te descrevo.
Sem preço.
Não irei cobrar aula nenhuma. Mas bem que queria te cobrar mais atenção nessa lição.
Sei que meu dialeto é confuso.
Falo amor.
Amor não caiu em desuso.
Poucos o falam, mas procuro manter a linguagem viva. Hoje sou teu amigo.
Viva comigo.
Muitas vezes não tem tradução.
Afinal, muitas coisas são interpretadas pelo contexto e nesse texto já deixei bem claro que dividiria minhas passagens aéreas com você.
Tem verbos que só existem no meu dialeto. Você sabe que bem lá no fundo eu tô certo. Mas, para conhecer esses verbos, tu precisa se afundar. Colocar a cabeça nos filmes e nas playlists que eu escuto e ver que em cada detalhe, trago um pouquinho do meu idioma.
Eu sei que a lista é grande, mas não precisa entrar em coma.
Vejo todas essas aulas novamente com você.
Do u speak me?
Lucas Iensen
Twitter: @lucasgiensen
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Adoro quando nossos corpos se entrelaçam em uma coreografia sem música. Te puxo pra perto, um sorriso entre os beijos e nesses pequenos segundos em que abro os olhos, fico perseguindo pelo seu corpo, suas constelações.
Pequenas estrelas pretas espalhadas por toda sua pele. Nem acredito em astrologia, mas sei que essas suas constelações não são meras pintinhas jogadas nesse universo particular, que tenho o enorme privilégio de conhecer.
A cada beijo mais intenso, conheço e me esqueço de cada uma delas – só para poder conhecer novamente.
É difícil não gostar de todas.
Não sei te dizer qual é a minha estrela favorita.
Lucas Iensen
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Demorei muito tempo pra aprender a falar à sua língua.
Talvez até por isso, deixei de te conhecer antes.
Tinha medo de chegar
não saber me virar
mal saber falar
passar fome
não saber pronunciar nem meu nome.
Embora eu não tenha gostado
e até mesmo tenha me feito sofrer
o tempo de curso ajudou.
Sofri.
Sofri abalos psicológicos e mentais.
As provas aos quais fui submetido me tornaram um homem mais preparado.
Se eu tivesse vindo antes do curso, não sei se teria sido bom. Afinal, eu não conhecia a sua cultura.
Era um guri cabeça dura.
Mas que soube se curvar e aprender com um bom professor.
Vejo que te visito (e faço morada) na hora certa.
Tô me acostumando com seu fuso-horário.
E é bom chegar num país
que eu sei bem
o quanto
eu valho.
Lucas Iensen
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Você chegou e quase me
matou
Não de susto
Não de faca
Não de morte física
Mas de surpresa.
Talvez na minha vida
bandida
em que tanto já me foi
roubado
em que tanto já fui
deixado de lado
achei que nem teria
mais sentimento
Tu quase me matou
quando penetrou como
uma adaga e resgatou isso de mim
lá de dentro
Desprevinido
como quem sai sem
guarda chuva em Curitiba,
foi você
entrando na minha vida
A melhor chuva que eu
poderia tomar
de você
quero me encharcar.
Lucas Iensen
2017 está acabando e eu estou num ponto aguardando um ônibus que só vai chegar amanhã às 00:00. Confesso que estou meio cansado de esperar e também com certa expectativa por esse ônibus, afinal, uma viagem nova sempre me motiva. Curiosidade me rodeia enquanto aguardo.
Quem será que virá nesse ônibus? Quais posters irei colar na minha parede? Quais medos eu vou esquecer de carregar (e isso é um ponto bem positivo)? Quais pessoas tô carregando comigo pra esse ônibus? Quantas passagens ainda tenho?
Esse ônibus que tanto aguardo é essa nova chance que damos a nós mesmos de sermos pessoas melhores. Linha 2018 do terminal Século XXI, não se atrase, pois o aguardo ansiosamente.
Sua chegada serve de impulso para deixar velhos costumes, iniciar novas manias e começar novos projetos. Sempre amei a reflexão e perto da sua chegada, isso em mim se intensifica de modo qual, consigo muito bem definir metas e objetivos para a viagem que você me levará.
A respeito das malas que fiz e estou deixando empacotadas para ficar, todas tem meu respeito. Umas mais, outras bem menos. Porém, cada uma delas tá fazendo parte dessa cicatriz enorme que 2017 trouxe pra mim, ano de intensas mudanças, aprendizados sobre a vida e principalmente sobre eu mesmo. Eu, que não costumo reclamar e nem guardar mágoas, te agradeço por de alguma forma, me entregar alguém melhor na frente do espelho.
Digo isso de corpo inteiro. Adiós 2017. Venha 2018!
Lucas Iensen

Aos poucos, todas as mágoas pelo fim do relacionamento estão se esvaindo pelo
ralo do esquecimento. A raiva era a sujeira do meu corpo e estar sujo me
incomoda. Sentia-me às vezes como um assassino que mata por justiça, mas que depois
não consegue viver com as mãos sujas de sangue.
É bom estar limpo de toda essa aberração.
E enquanto eu me esvaio de todo esse sentimento pífio, eu simplesmente começo a
sentir saudade, somente saudade.
Percebo o quanto nós perdemos com este rompimento, pois afinal, prometíamos ser
uma boa dupla.
I miss you.
I miss you forever.
Hoje só me deu a falta dos momentos mais simples que passamos juntos e que você
talvez nem lembre mais. Porém, eu os guardei nessa caixinha da minha alma e só
os abri agora.
Contrato meu comigo mesmo de só abrir essa caixa quando estivesse com as mãos
limpas. E deu falta.
Deu falta de a gente se encontrar sem marcar no centro.
Deu falta dos nossos beijos escondidos antes do namoro.
Deu falta de você segurando minha mão enquanto seu pai falava.
Deu falta daquela sua risada espontânea.
Deu falta de te ver lá, quietinha e sozinha vendo eu jogar bola.
Há uma certa cultura em que garotos não podem demonstrar essa fraqueza a qual
estou me expondo agora. Confesso porém, que sempre gostei do choque.
E por falar em choque, talvez eu nunca esqueça quando tiramos as camisetas um
do outro pela primeira vez.
Você, sempre quis ser atriz.
Eu sempre gostei de filme.
Aliás, dirigi um esse ano e por mais triste que seja, queria muito ter te visto
na plateia enquanto eu discursava. Mas não estava.
Aliás, você nunca mais esteve e eu (in)felizmente estou começando a me
acostumar com isso.
Hoje me bateu aquela saudade de você. Saudade só. Saudade sem mágoas. Saudade
solitária. Saudade silenciosa. Saudade daquelas que apertam o peito. Saudade,
só saudade.
Tô quase pegando o telefone e te ligando... oi,
tá tudo bem?
E então me pego pensando, que sinto saudade disso também.
Lucas Iensen