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Última segunda-feira do ano. Perto da meia noite, muitas pessoas abraçadas aguardando o que pra elas é a virada do ano. Elas esperam fogos, estouram champagnes e espumantes, comem e festejam em grupos pequenos ou grandes. Sinceramente, eu já nem via mais graça nisso tudo. Nada nunca mudava de forma significativa. Mas nada é pra sempre, não é mesmo?

Minha virada de ano aconteceu mesmo foi lá atrás, dia 17 de março, também em uma madrugada. A gente começou a virar as coisas, nossas bagunças, medos, sentimentos e viramos a noite. Virei às costas para o medo para poder cumprimentar a coragem e te propus o que para você já era certo. Foi ali, naquele seu intrépido sim sem titubear que meu ano virou. E eu nem fazia ideia de como.

Novos planos surgiram, coisas mudaram, se resolveram, tornei-me melhor. Realmente descobrir o amor nos muda.
Você virou minha rotina, independente de quão corrido ou puxado fosse meu dia sempre tinha um espaço pra nós (embora eu não raramente dormia no meio de nossas conversas, mas ah, você fazia o mesmo). Você quase cruzou o país pra me conhecer, pra gente passar um tempo juntos, e nossa vida foi acontecendo em meio a tudo isso. Saímos, passeamos, comemos coisas diferentes. Você conheceu e ganhou uma nova família. Você virou parte dos almoços de Domingo, virou o rosto mais distinto em meio às milhares de pessoas dentro daquela Universidade, virou o número de apartamento preferido do meu ano.

E o garoto certinho matou aula pra cruzar a cidade duas vezes pois aprendeu que existem coisas mais valiosas na vida do que o sentimento de responsabilidade contínua, foi dormir mais tarde várias vezes mesmo sabendo que estaria morto no dia seguinte no trabalho. Fez algumas loucuras, se divertiu, viveu como nunca. Ou melhor: finalmente viveu. A vida parece ter começado só agora, tudo parece começar a ter sentido e propósito desde a virada de ano. E logo eu que nuca acreditei em resoluções de fim de ano passei a acreditar nelas. Logo eu que há um ano atrás achava estar finalmente trilhando o que achava ser um bom caminho, achava que meus sonhos de ano novo eram bons descobri, graças a Deus, que às vezes, dar tudo errado é a melhor e mais certa coisa a nos acontecer. Quem somos nós diante das surpresas da vida, não é mesmo?

A gente mudou, cresceu, se envolveu. Você criou um novo calendário, onde 31 de Dezembro é apenas um dia festivo, nem parece mais virada de ano. Afinal, meu bem, virada de ano mesmo foi o que você fez quando me disse sim.

Quando é que faremos nossa próxima virada de vida mesmo?




Stephen S. M.



Não, eu nem tento lutar
Pois ainda que tentasse
Eu perderia

Eu não vou lutar
Não por ser covarde
Mas por não querer

E ainda que quisesse
Certamente falharia
Não tem como não perder

E ainda bem que não posso ganhar esta luta
Luta que não existe pois eu não ousaria
Levantar uma espada contra este amor

Você, meu amor, possui espada de dois gumes
Com um lado, do amor, você derrota meus medos
E com o outro, da saudade, estilhaça meu peito

Você já me tem, não há mais o que fazer
Me entrego facilmente a você
Não sou mais dono do meu eu

Me render é sensatez
Me entregar é poupar a vida
Afinal, me afastar de você é suicídio

Pois se é você quem faz meu coração bater
E meu peito respirar
Lutar contra você é contra minha vida atentar



Stephen S. M.


Nosso encontro foi imperfeitamente perfeito. Meus olhos te captaram sem nenhuma dificuldade e sou incapaz de afirmar se houve amor à primeira vista, porque -ainda- não provei do teu amar.

- Desejo à primeira vista pode ser melhor definido, neste caso. -


Tuas palavras contornavam meus ouvidos e entre arrepios, aqui e ali, eu te queria mais e mais. De acordo com os fatos, nossas bocas se encaixaram como se tivessem sido feitas uma para a outra. Teu eu tinha sido feito sob medida para o meu. Não precisei nem sequer ler o manual de instruções, até porque prefiro não seguir regras. Quebrei elas com você.

Também quebrei os minutos do relógio. Nosso tempo tinha acabado.

- Ou talvez tivesse acabado de começar. -

Eu fui embora sem deixar um bilhete, mas quando fui, não queria ter ido. Eu fui, com a intenção de voltar. Eu fui, querendo ficar. Eu fui, mas te prometo, ainda volto para tirar todo o teu ar.

- Desejo à última vista pode ser melhor definido, neste caso. -

- Amanda Trevisani



Seguir
Verbo pequeno 
Porém tão complicado 
Se hoje sigo algo ou alguém 
Aos que me assistem 
Posso até causar um estrago 

Pois não é apenas seguir 
É que daquilo que o seguido prega 
Eu jamais devo fugir 
Se desvio aqui ou ali 
É falso todo passo 
Do meu seguir 

Todo extremismo é vedado 
Mas quando falo de Ti
De meus conceitos me desarmo 
Só lembro do que causa afago 
E da paz em apenas seguir

Seguir-Te não pelo título 
De seguidor que recebi 
É por precisar diariamente 
E de maneira incessante
Do alimento  
Que só encontrei em Ti

Sigo não por seguir
Sigo por precisar 
E precisar cada dia mais do Teu fluir
Pois assim como as plantas 
Seguem o sol
Eu sigo a Ti 

- Brígida G. V. Carvalho 
Foto: @brigidagabrielavieira


A gente se encaixa
Seja no abraço apertado
Seja nos planos de vida

A gente se encaixa
E se precisar separar pra corrigir o encaixe mal feito
A gente se encaixa de novo

A gente se encaixa
De conchinha pra dormir
Ou no olhar perdido no fundo da alma alheia

A gente se encaixa
Somos peças de mil pinos
Compatíveis um a um

A gente se encaixa
Como peças de brinquedo
Com flexibilidade e solidez

Como peças da vida um do outro
Como peças na mão de um Ser criativo
A gente se encaixa

E Ele nos encaixa
Em uma montagem sem folga
Em uma sequência perfeita

Pra um plano maior
Pra uma montagem real
A gente se encaixa


Stephen S. M.



Eu sinto saudades do futuro
Sim, meu passado se tornou irrelevante
Já não mais ocupa lugar aqui

Pois o espaço que restava fora ocupado

Eu sinto saudades do futuro

De deitar na cama com você
E sentir um gostinho
Do que teremos pela frente

Eu sinto saudades do futuro
Saudades de experimentar
O que nunca provei
Mas é o que quero, e isso eu bem sei

Eu sinto saudades do futuro
De ser pego admirando
A maravilhosa imagem
Daquela que dividirá uma cama comigo

Eu sinto saudades do futuro

Saudades da sensação de que não dividirei uma cama
Nem uma casa apenas
Mas toda uma vida e quem somos

Eu sinto saudades do futuro

Saudades dos dias porvir
Onde não tinha mais alarme nem despertador
Que me separe do teu calor

Eu sinto saudade do futuro
Não gosto de viver às memórias

Das sensações e momentos que me lembram
O quão bom tua presença é

Eu sinto saudades do futuro

De experimentar semanalmente
O que planejamos e uma pequena parte
De tudo que viveremos

Eu sinto saudades do futuro

Como eu amo provar
Uma pequena fração
De tudo que Deus há de me dar

Eu sinto saudades do futuro

Saudades de viver minha vida
Que não será minha mais nossa
Pois meu futuro, meu bem, é com você.

E é por isso que eu sinto saudades do futuro
Pois sinto saudades do você

Saudade que sinto
Mesmo cinco minutos depois de te ver.


Stephen S. M.


Eu nunca lhe dei um mapa
Eu apenas te disse onde chegar e instruí sobre o que precisaria para a viagem

Embora parecesse saber melhor do que eu

Nunca lhe falei qual estrada pegar durante o caminho
Te dei apenas as direções para começar a viagem
E você foi sem nenhum mapa online nem GPS

Você parecia saber o caminho melhor do que eu
Sendo que esta rota era a minha rota
E você a trilhou melhor do que eu jamais trilhei

Quem é você? Já nos conhecíamos antes?
Você não se perdeu, soube ler o caminho
Seu instinto é um mapa perfeito

Como você observou tão bem o caminho
E tomou as decisões, mudou as rotas no ponto certo
Sem nunca ter antes passado por aqui?


Você dizia não saber o caminho
Mas por não ter medo e confiar
Chegou ao destino. Como?


Me explique, meu bem, como você conseguiu
Passear por mim, como você cruzou as estradas do meu corpo
Me fazendo sentir um estranho no meu próprio percurso

Me diga quem é você senão quem me conhece melhor do que eu mesmo
Ainda que jamais tivéssemos nos visto antes
Me diga, me ensine a viajar, pois está foi a melhor viagem de todas.




Stephen S. M


Teu corpo é estrada
Na qual eu viajo
Sem pagar pedágio
Trafego sozinho

Sem o traçado conhecer
Conduzo com cautela
Pois como em toda via
A segurança está nos limites dela

Como em qualquer outra
Retas são entediantes
Sem muito o que fazer
Quase durmo no volante

São das curvas que eu gosto
Mas nelas preciso ir devagar
A diversão está justamente
Em admirar a paisagem sem me apressar

Sem correr pra não me acidentar
Gosto até da sensação de pisar no freio
Devagar tenho mais chance
De admirar tudo e chegar inteiro

Talvez seja o perigo destas curvas
Que as torne tão prazerosas
Se para alguns isto é medo
Para mim é aventura valiosa

Diferente de qualquer outra estrada da vida
Desta pareço jamais me cansar
Afinal, são estes curvos caminhos
Que me levam para o meu lar.


Stephen S. M.

Confesso: nunca fui fã de contradições, ainda mais vindas de minha parte. Nunca as admirei, até agora. Hoje, eu só queria me contradizer.


Queria ser como o inverno que te congela no tempo. Mas queria ser como o verão que te queima.
Queria ser como o fogo que começa o teu incêndio. Mas queria ser como a chuva que o apaga. 
Queria ser como a água que mata a tua sede. Mas queria ser como o deserto que te deixa a desejá-la.
Queria ser como a luz que te acende. Mas queria ser como a escuridão que te cega.
Queria ser como o cigarro que põe entre os lábios. Mas queria ser como a nicotina que te mata.

O fato é que todas as situações dependem umas das outras. Nossa história não seria diferente, afinal, assim como eu preciso do teu caos, você precisa da minha calmaria.

O inverno congela, o verão queima.
A água é fundamental para a sobrevivência no deserto.
A luz ilumina a escuridão.
A nicotina presente em um cigarro pode levar a morte.

Eu que insisto em não fumar, hoje queria te tragar e respirar a fumaça de teus desejos.

Nós sabemos dos riscos. Sabemos que o cigarro pode matar e sabemos que pular de uma ponte também.

Hoje, nós pulamos de uma ponte com uma das mãos entrelaçadas e a outra com um cigarro entre os dedos. Nós sabemos o que poderia vir a acontecer, mas encaramos e assumimos os riscos.

Hoje, nós nos contradissemos. 
Mas falamos a mesma língua.

- Amanda Trevisani

Não, já não sei mais viver sem te ver, se é que não te ver é de alguma forma viver e não sobreviver.
No frio desta cidade só teu calor me aquece; roupa nenhuma supera o aconchego da tua presença.
Eu me acostumei com teu abraço e colo antes de sair ou pouco antes de ir dormir.
Como seria voltar pra casa e ao trocar de roupa não sentir teu perfume na gola da minha camisa?
Me acostumei com um conforto que transcendeu tudo aquilo que eu conhecia como confortável.
A rotina de ouvir tua voz no interfone é como um sopro de esperança e vida a cada dia que tenho a dádiva de ouvir.
Tenho me adaptado a ouvir o detestável som do despertador me lembrando que ali não é minha morada.
Me adaptei a entrar no elevador vendo você silenciosamente dizer que me ama pois vivo com a esperança de que em um curto espaço de tempo eu estarei vendo você abrir aquela porta amarela trancada a chave tetra.
Mas e quando sairmos junto dali, carregando suas malas, sabendo que não voltaremos a chamar o elevador, de que não estamos saindo pra passear ou apenas almoçar? E quando eu te (ou)vir dizer que me ama e souber que não serão alguns poucos dias separando nossos olhares?
Em questão de minutos, eu passarei a odiar aquele aeroporto que te trouxe a mim mas agora te rouba, ainda que eu saiba que você irá voltar, mas de forma tão breve quanto a neblina que atrasa os voos dali.
Eu fiquei mal acostumado com tudo que envolve você. Mas não que isso seja de todo ruim.
Amor, me acostumei com você.

Stephen S. M.

Sem nunca antes ter tentado
Fiz como pelos outros foi mostrado
Subi as escadas do trampolim
Mal sabia o que aguardava por mim

Até a ponta dele caminhei
E mesmo com medo, pulei
Mas eu não sabia que pularia
Rumo aquilo que me machucaria

A piscina era rasa, não tinha profundidade
O mergulho parecia ser uma fatalidade
Ao fundo eu cheguei
E ali mesmo fiquei

Resgatado fui após quase me afogar
Jurei a mim mesmo ser sensato e nunca mais pular
De cabeça em uma piscina vazia
Meu desejo por salto ali terminaria

Mas descobri que eu não era meu dono
Pois não tardou até que doesse o abandono
Você lá de baixo me chamou
E de paixão meu peito se abrasou

Mesmo com medo resolvi não hesitar
Subi rápido, ansioso para pular
Confiei na sua voz
A ti me entreguei de maneira veloz

Em suas águas eu mergulhei
Pela falta de fé, pelo fundo esperei
Mas desta vez ele não chegou
Pois a piscina você com seu amor inundou

Feliz eu que arrisquei
De traumas antigos me livrei
Pulei de cabeça sem pudor
Mergulhei profundamente em seu amor


Stephen S. M.

Por favor, não olhe assim para mim
Não lance sobre mim este olhar
Apoiada na porta enquanto tento ir embora
Não tenho forças pra lutar contra seu desejo por mim
Preciso ir, já deu minha hora. Te prometo que nos veremos amanhã
Mas por favor, não me olhe assim apoiada na porta do seu ap

Não pisque para mim
Não me chame de volta sussurrando
Pois assim me rendo a ti
Você sabe como eu queria voltar
Ficar mais um pouco deitado com você

Sentir e deixar em mim mais um pouco do teu perfume
Deixar você sentir meu peito pular de paixão por ti
E tocar teu rosto macio e delicado

Não quero lembrar neste momento quão bom foi ter você em meus braços
Ou ouvir você cantar comigo enquanto sorria para mim naquele sofá
Definitivamente dispenso agora qualquer memória de tudo aquilo
Pois preciso ir para a casa, e infelizmente minha casa (ainda) não é nossa
Dolorido é abrir a porta daquele elevador, não para subir, mas para descer
Mas assim foi, é e será
Até que um dia, compartilhemos o mesmo lar.


Stephen S. M.

Eram mais de cem dias desde que esta contagem iniciou, entretanto, não tardou para que ela se resumisse a dois dígitos. Contávamos pacientemente ansiosos cada longa dezena. Eu mantinha a contagem na tela inicial do meu celular para sempre lembrar do que você me disse. A cada dezena que se findava nós sorríamos e o seu "estou chegando" era cada vez mais real. Enquanto isso, cada vez mais descobríamos coisas um sobre o outro, ou até mesmo sobre nós mesmos quando reparávamos nas nossas inúmeras semelhanças cautelosamente anotadas para que não nos esqueçamos o quão parecidos somos (oi, espelho meu).

Os dias passavam, se arrastavam como se quisessem postergar a melhor parte deles, a noite, quando a contagem diminuía enquanto nos víamos quietos e sorridentes pelo celular.
Quanto mais perto ficava, mais distante parecia. Por que o tempo cisma em desacelerar quando mais queremos que ele voe?
E falando em voar, você ia voar. Eu já sabia melhor do que você os dados do seu vôo.

Faltando um mês, percebemos que em quinze dias faltariam apenas quinze, e dentro de quinze dias, faltariam apenas quinze. Até que enfim, nossa última dezena de dias. Em breve a contagem se resumiria às horas restantes. Enquanto isso, você arrumava suas malas, tentava colocar o máximo de coisas para conseguir sobreviver aqui. Fazia sua lista e conferia pra ter certeza de que não esquecera de nada.

E de repente já não era mais sobre quantos dias faltavam, mas sobre quantas horas. A impaciência já tomara conta de mim enquanto eu me arrumava pra ir te buscar. Você tinha mandado mensagem avisando que havia embarcado no avião: você estava finalmente vindo.
Embora eu ame admirar os aviões na pista e no pátio, eu estava olhando impacientemente para a tela do aeroporto e do celular tentando acompanhar o status do seu voo. Eu queria saber exatamente qual era a aeronave na que você viria, já tinha decorado a matrícula dela. Minha vontade era de invadir a sala do controle e observar cada atualização de posição, cada fonia e pedir para a tripulação te anunciar que eu estava lá, aguardando sua chegada.


De repente lá estava ela com você dentro. Eu estava suando, mas não era de calor. Eu sabia que desceria um andar do aeroporto e dentro de alguns minutos, aquela porta abriria e você estaria ali. Tudo que sempre sonhamos e tanto falamos finalmente aconteceu. A porta se abriu, e você ali estava. Um abraço consolidava nossas expectativas. Até que enfim, em um abraço pude te olhar nos olhos e exclamar após um longo suspiro: "você chegou!".


Stephen S. M.

Tanto tempo aguardando
A espera estava findando
Só me restava esperar
Naquele saguão você chegar

Tantas coisas planejadas
Tantas lágrimas derramadas
A ansiedade não poderia me domar
Nem a pressa me controlar

Nada me restava fazer
Eu tinha que esperar você descer
Aquela porta tantas vezes se abria
Mas em nenhuma vez ela a mim te trazia

Subitamente por uma fresta passou
A deslumbrante imagem daquela por quem meu coração tanto aguardou
Finalmente pude dizer "eu sabia"
Minha mente pôde acreditar que você chegaria

Não sabia o que dizer
Faltam protocolos para o que deveria alí fazer
Me restava te abraçar e exclamar
Eu sabia que você iria chegar

Seja bem-vinda à sua nova morada
Que embora seja gelada
Há nela um lugar quente pra você se abrigar
Basta a mim você abraçar



Stephen S. M.


(trilha sonora sugerida: Evanescence - October)

Eu trilhei diversos caminhos. Trilhas pesadas, caminhos de pedra, rotas íngremes. Segui por lugares que nem mesmo eram caminhos, embora eu achasse que fossem, ou apenas mentia para mim no desespero de me achar em algum lugar.
Quando me encontrei à beira do penhasco, já não estava nem um pouco afim de caminhar mais. Era mais fácil ficar sentado esperando socorro, mas nem deu tempo: quando pensei em desistir, eu caí. Foi a sensação mais estranha que já tive.
Não, não foi estranho cair. A sensação da queda livre é até que prazerosa. Estranho foi cair em seus braços. Por que você me segurou? Justo eu?

Eu só queria chorar. Cansado, me entreguei à você. Eu não tinha muito a fazer. Me desculpe chegar nesse estado, mas eu juro que só estava buscando um caminho. Graças a Deus você era forte o suficiente pra me segurar.
Depois de tanto cuidar de mim, quem diria, aqui estou eu, ainda caindo.
E eu tenho gostado disso.

Tenho tropeçado nos seus suspiros quando olha pra mim. Aprisionado por seu olhar apaixonado, esqueço de olhar pra frente, tropeço e caio. Caio no seu amor, caio no seu afago. É difícil não me prender no seu olhar: como eu amo ele!
Seu sorriso bobo me põe no chão e me mantém ali. Não tenho forças pra lutar contra e resistir ao encanto da sua mais sincera e explícita expressão de paixão. É difícil dizer se é seu sorriso largo ou seu olhar profundo que golpeia mais fortemente meu coração e rende minh'alma. Amo os dois, amo você.
Descuidado caí na sua graça, que me acolheu indiscriminadamente. Mesmo ferido, fraco e pobre, você me acolheu enquanto eu caia. E não haveriam cuidados melhores do que os seus.

Quando desisti, você se determinou.
Quando me entreguei, você me aceitou.
Quando tropecei, você me segurou.

Amor, eu cai. Caí de encantos por você, caí nos seus braços de amor.


Stephen S. M.

Oi. Espero que você esteja bem, meu amor.
Sei que você anda muito ocupada, e a saudade de você me pegou de surpresa enquanto trabalhava. Lembra que conversamos esses dias sobre nossa futura casa? Então: me peguei desenhando ela. Sim, comecei a projetar a nossa casinha.

Comecei pelo segundo quarto, pra quando sua mãe viesse nos ver, ou que eu poderia usar como laboratório ou estúdio. Espaçoso, amplo e aconchegante. Deixei uma janela no canto, pra que não entrasse ar frio em cima da cama caso coloquemos uma alí.


Depois fui para o escritório. Fiquei pensando se haveria espaço suficiente para nós dois alí, afinal, eu amaria deixar minha bancada perto da sua, pra de vez em quando ir te dar um abraço por trás pra desestressar. Coloquei apenas uma janela, mas eu deixaria você ficar ao lado dela sem problemas. Até prefiro assim.


Quando achei que ele estava grande o suficiente para nós dois, subi para o quarto de nossa suíte. Não sei dizer o tanto de emoções que me atacaram nesta parte. Pensei em fazer um quarto espaçoso para caber nosso abajur de luz azul e nossa cama king size, pra você poder se esticar toda na cama, como disse, e ainda sobrar um espacinho para mim. 


Aproveitando o embalo, parti para o banheiro da suíte assim que o quarto me satisfez. Obviamente, cuidei para deixar espaço para a nossa banheira. Não tinha te falado sobre isso ainda, mas pensei numa banheira pra gente relaxar depois de um dia de serviço cansativo. Cuidei pra que a banheira fosse suficientemente grande, mas não grande a ponto de ser perigosa pra você (afinal, você é pequenininha, amor). Arandelas espalhadas pelo banheiro iluminariam de forma sutil o ambiente, deixando um clima mais relaxante.
O outro banheiro da casa e o lavabo foram detalhes.


As salas de jantar e de estar, combinadas, foram cenário para minha imaginação nos colocar fazendo um jantar para amigos ou sentados no sofá, na nossa intimidade, dividindo um brigadeiro de panela e vendo algum filme enquanto te faço um cafuné. Ela ficou bem grande, mas achei melhor assim, pra que pudéssemos reunir nossos amigos sem problema.

A área de serviço foi cena pra alguns clichês, como eu te molhando enquanto lavamos alguma coisa juntos. Ficou espaçosa pra que pudéssemos trabalhar ao mesmo tempo.

Do lado dela, a dispensa. Ainda não sei se usaríamos ela ou se poderíamos tirar ela e anexar o espaço ao próximo e último cômodo da lista.

Por fim, o primeiro cômodo que me lembro de ter conversado com você: a cozinha. É óbvio que nosso espírito faminto pensaria nisso primeiro, por isso deixei por último: para dedicar bastante atenção. Pensei em tudo embutido; forno de indução e forno elétrico. Nada com gás para que nossa casa seja segura. Pensei em todos aqueles eletrodomésticos sensacionais que sonhamos em comprar. Deixei espaço pra gente circular livremente, bastante armários pra organizar tudo. Pensei em um balcão americano e obviamente, no que você me disse um dia e que me aqueceu o coração: uma bancada ou uma ilha, tipo casa de filme americano, onde tomaríamos nosso café juntos, enquanto fito em seus olhos agradecendo a Deus pela mulher maravilhosa que ele me deu.


E essa foi a casa que imaginei e desenhei: um lugar amplo mas minimalista para nossas intimidades, um teto para meu lar e nossos sorrisos.

Tive que voltar pra vida real: não temos nossa casa ainda, porém ainda tenho um lar, não para o meu corpo, mas para meu coração. E pra um coração que viveu tanto tempo sem teto, neste lar se sente numa mansão.
Tô doido pra te ligar e dizer "tô te esperando em casa, amor".



Stephen S. M.

Há quem diga que o tempo é seu inimigo; há quem diga que o tempo é seu amigo.
Eu digo apenas que vivo um dilema; talvez, dos tempos modernos, seu emblema.
Ao passo que preciso de tempo para resolver meus assuntos,
apresso o tempo para que ele nos coloque juntos.
Quero que ele acelere, mas com calma, para não sufocar minh'alma.
Preciso que o tempo vá te buscar, mas sem de mim nada tirar
Pois assim que você chegar,
vou implorar para ele descansar,
não passar, não te levar.
Que cada segundo seja um ano inteiro para eu te aproveitar
Que os ponteiros parem,
que os pêndulos não mais balancem,
que os relógios de rua travem.
Que você fique, que não vá tão cedo.
Encarar o fato de me despedir de você me dá medo.
Por favor, tempo, sei que pedi para que se adiantasse,
mas não se vingue da minha pressa; você sabia que eu só queria que ela chegasse
Ela chegou, e você já quer levá-la embora. O que posso fazer para te congelar, tempo, nesta hora?
Como te faço parar para aquele avião não decolar?
Admito que não tem como te segurar, você vai levá-la sem hesitar.
Meu pedido então é para você encurtar a enorme distância temporal que há de nos separar.
Precisei de você muitas vezes, mas agora preciso que vá.
Vá, tempo, deixe nos a sós!

Deixe este abraço durar um pouco mais,
deixe este beijo nos aquecer sem que da pressa tu nos lembrais.
Deixa este riso me iluminar mais um instante,
para que eu não me perca na escuridão da saudade adiante.
Hoje, se há uma coisa que a ti, tempo, quero suplicar,
É que deixe-me por mais um segundo com meu amor ficar.

Stephen S. M.

Trilha sonora sugerida: My Love, I Love You So - Tessa Violet


Quero te conhecer, tenho sede disto
Seus olhares me perturbam, me acalmam e me despertam
Eles me dizem tantas coisas que vêm direto à alma
E por isto não sei te explicar
Apenas sei que seu olhar é a conexão direta da tua alma para a minha
Teu olhar é elo
Elo entre nós
Ele entre tua alma e teu corpo

E deste quero conhecer cada parte e pedaço
Cada curva, cada olhar (e o que eles significam), cada fio de cabelo
Te dar um "chero" e conhecer teu cheiro
Saber onde te acalmo e onde te desperto
Descobrir onde te provoco suspiros
Frio na barriga e arrepios
Quero saber de tudo
Aprender sobre seus beijos, como gosta e como faz
Compreender o significado de cada um e seus riscos
Qual é de carinho, qual é de amor; qual é desejo e qual é paixão
Identificar se são vários e se devem ser rápidos
Ou se precisa de apenas um bem lento
E assim virar mestre nesta ligação entre nós

Mas como não é só de corpo que vive o amor
Quero conhecer também os lados da tua alma
Cada face dela e de quem você é
Saber o que te irrita para te perturbar às vezes
Só pra você vir braba e eu te segurar e acalmar em um abraço
Saber o que te irrita para também te deixar em paz
E saber o que preciso fazer para deixar sua alma descansada
Mesmo quando seu dia já estiver bom
Entender quando quer conversar, falar sem parar para desabafar
Mas também quando quer ficar quieta, apenas mergulhada em meus braços
Quero saber do que gosta, do que podemos fazer juntos
Descobrir o que te agrada e como fazer surpresas
E que em cada uma eu arranque este seu sorriso que tanto amo
Que assim como seus olhares, me laçam como abraços
Seu riso é paz, é a tranquilidade de saber que seu prazer reside em mim
E saber disso diariamente faz com que eu me apaixone por você

Talvez te conhecer não seja sobre querer, mas sim sobre precisar
Uma necessidade inerente a mim e a nós
Pois te conhecer significa conhecer a outra parte de mim que nunca conheci


Stephen S. M.




Mas que sorriso radiante
Mas que olhar penetrante
Tocam o ímpeto do ser
Fazem meu corpo estremecer

Seu cabelo é perfeição,
Já não sou mais eu
Sua risada é salvação,
Sou cada dia mais teu

Penso em você e me contraio
De longe te olho de soslaio
Tão longe e mesmo assim tão perto
Fico, e espero...

E no fim do dia, lembro
Com pesar no pensamento
Ainda és tudo que mais quero...

-Rafael Melo
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Feito por pessoas comuns

Assim como você, sofremos com os dramas que a vida nos trás. Sejam eles dentro de relacionamentos, dentro de trabalho, dentro de faculdade... A vida é no entanto, meio dramática mesmo.
Escrever é observar os pequenos detalhes que podem tornar este drama, um clássico com premiação de tapete vermelho.

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