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Última segunda-feira do ano. Perto da meia noite, muitas pessoas abraçadas aguardando o que pra elas é a virada do ano. Elas esperam fogos, estouram champagnes e espumantes, comem e festejam em grupos pequenos ou grandes. Sinceramente, eu já nem via mais graça nisso tudo. Nada nunca mudava de forma significativa. Mas nada é pra sempre, não é mesmo?

Minha virada de ano aconteceu mesmo foi lá atrás, dia 17 de março, também em uma madrugada. A gente começou a virar as coisas, nossas bagunças, medos, sentimentos e viramos a noite. Virei às costas para o medo para poder cumprimentar a coragem e te propus o que para você já era certo. Foi ali, naquele seu intrépido sim sem titubear que meu ano virou. E eu nem fazia ideia de como.

Novos planos surgiram, coisas mudaram, se resolveram, tornei-me melhor. Realmente descobrir o amor nos muda.
Você virou minha rotina, independente de quão corrido ou puxado fosse meu dia sempre tinha um espaço pra nós (embora eu não raramente dormia no meio de nossas conversas, mas ah, você fazia o mesmo). Você quase cruzou o país pra me conhecer, pra gente passar um tempo juntos, e nossa vida foi acontecendo em meio a tudo isso. Saímos, passeamos, comemos coisas diferentes. Você conheceu e ganhou uma nova família. Você virou parte dos almoços de Domingo, virou o rosto mais distinto em meio às milhares de pessoas dentro daquela Universidade, virou o número de apartamento preferido do meu ano.

E o garoto certinho matou aula pra cruzar a cidade duas vezes pois aprendeu que existem coisas mais valiosas na vida do que o sentimento de responsabilidade contínua, foi dormir mais tarde várias vezes mesmo sabendo que estaria morto no dia seguinte no trabalho. Fez algumas loucuras, se divertiu, viveu como nunca. Ou melhor: finalmente viveu. A vida parece ter começado só agora, tudo parece começar a ter sentido e propósito desde a virada de ano. E logo eu que nuca acreditei em resoluções de fim de ano passei a acreditar nelas. Logo eu que há um ano atrás achava estar finalmente trilhando o que achava ser um bom caminho, achava que meus sonhos de ano novo eram bons descobri, graças a Deus, que às vezes, dar tudo errado é a melhor e mais certa coisa a nos acontecer. Quem somos nós diante das surpresas da vida, não é mesmo?

A gente mudou, cresceu, se envolveu. Você criou um novo calendário, onde 31 de Dezembro é apenas um dia festivo, nem parece mais virada de ano. Afinal, meu bem, virada de ano mesmo foi o que você fez quando me disse sim.

Quando é que faremos nossa próxima virada de vida mesmo?




Stephen S. M.



Seguir
Verbo pequeno 
Porém tão complicado 
Se hoje sigo algo ou alguém 
Aos que me assistem 
Posso até causar um estrago 

Pois não é apenas seguir 
É que daquilo que o seguido prega 
Eu jamais devo fugir 
Se desvio aqui ou ali 
É falso todo passo 
Do meu seguir 

Todo extremismo é vedado 
Mas quando falo de Ti
De meus conceitos me desarmo 
Só lembro do que causa afago 
E da paz em apenas seguir

Seguir-Te não pelo título 
De seguidor que recebi 
É por precisar diariamente 
E de maneira incessante
Do alimento  
Que só encontrei em Ti

Sigo não por seguir
Sigo por precisar 
E precisar cada dia mais do Teu fluir
Pois assim como as plantas 
Seguem o sol
Eu sigo a Ti 

- Brígida G. V. Carvalho 
Foto: @brigidagabrielavieira



       Ler sobre recomeço é sempre muito inspirador, reaviva a esperança e a paz. E de fato, precisamos nos manter esperançosos para o futuro, ainda que o presente que vivenciamos não seja tão agradável aos olhos. Somos movidos e renovados pela esperança e quando a perdemos, estamos correndo um sério risco de nos perdermos de nós mesmos também. Já pensou nisso?

       Sempre defendi que a esperança não deve ser a última que morre, mas a única que nunca deve morrer. Até porque com a esperança morta, mortos nós também estaremos. E embora sejamos seres completamente lúdicos que vivem pelo que veem, não devemos basear o sucesso do futuro pelo fracasso do presente, pois nada na vida é eterno, nem tristeza e nem alegria. Nenhuma condição é imutável e todo desastre é plenamente capaz de se transformar em milagre. 

       Sim, toda situação tem potencial para gerar um milagre. E milagres acontecem todos os dias. Você ter acordado respirando hoje foi um deles. Aproveite esse breve instante que Deus e a vida estão te concedendo e vá à luta para mudar tudo aquilo que te desagrada. Lute sempre convicto(a) de que nenhum trabalho árduo é em vão e que os melhores resultados são os que mais demoram a aparecer. 

       Não espere condições favoráveis, pois condições favoráveis na verdade nem existem e nunca existirão se você for esperar por elas. Mas se você decidir arregaçar as mangas, você mesmo pode criar a situação perfeita para realizar o projeto que quiser. Em meio ao caos das águas sempre são formados os melhores marinheiros, por que em meio ao caos da vida não poderiam ser formados os melhores sobreviventes? Você pode ser um deles e isso só depende de você. 

       Não se iluda com as circunstâncias ruins. Posso te contar um segredo de amiga? As circunstâncias são mentirosas e nos cegam todos os dias. Só estão aí para nos fazer desistir daquilo que já é nosso. Não caia na asneira de acreditar que elas ditarão o seu futuro. O melhor a se fazer é ignorá-las desde agora, no presente. 

       Recomeçar é preciso. Independente do momento. Não estamos na virada do ano ainda e nem precisamos esperá-la chegar para a inspiração e esperança baterem. A vida é um sopro. Com um sopro vem e com outro vai. Abrace esse momento atual, pois ele é perfeito para a mudança que você sempre quis ver ou ser. 

       Vamos recomeçar? Depende única e exclusivamente de você, mas espero, de coração, que esse empurrãozinho tenha ajudado.❤️

“Por isso, nunca desistimos. Ainda que nosso exterior esteja morrendo, nosso interior está sendo renovado a cada dia. Pois estas aflições pequenas e momentâneas que agora enfrentamos produzem para nós uma glória que pesa mais que todas as angústias e durará para sempre. Portanto, não olhamos para aquilo que agora podemos ver; em vez disso, fixamos o olhar naquilo que não se pode ver. Pois as coisas que agora vemos logo passarão, mas as que não podemos ver durarão para sempre.”    (2 Coríntios 4:16-18)

Texto: Brígida Gabriela Vieira de Carvalho
Foto: @brigidagabrielavieira



Eu sinto saudades do futuro
Sim, meu passado se tornou irrelevante
Já não mais ocupa lugar aqui

Pois o espaço que restava fora ocupado

Eu sinto saudades do futuro

De deitar na cama com você
E sentir um gostinho
Do que teremos pela frente

Eu sinto saudades do futuro
Saudades de experimentar
O que nunca provei
Mas é o que quero, e isso eu bem sei

Eu sinto saudades do futuro
De ser pego admirando
A maravilhosa imagem
Daquela que dividirá uma cama comigo

Eu sinto saudades do futuro

Saudades da sensação de que não dividirei uma cama
Nem uma casa apenas
Mas toda uma vida e quem somos

Eu sinto saudades do futuro

Saudades dos dias porvir
Onde não tinha mais alarme nem despertador
Que me separe do teu calor

Eu sinto saudade do futuro
Não gosto de viver às memórias

Das sensações e momentos que me lembram
O quão bom tua presença é

Eu sinto saudades do futuro

De experimentar semanalmente
O que planejamos e uma pequena parte
De tudo que viveremos

Eu sinto saudades do futuro

Como eu amo provar
Uma pequena fração
De tudo que Deus há de me dar

Eu sinto saudades do futuro

Saudades de viver minha vida
Que não será minha mais nossa
Pois meu futuro, meu bem, é com você.

E é por isso que eu sinto saudades do futuro
Pois sinto saudades do você

Saudade que sinto
Mesmo cinco minutos depois de te ver.


Stephen S. M.

Não, já não sei mais viver sem te ver, se é que não te ver é de alguma forma viver e não sobreviver.
No frio desta cidade só teu calor me aquece; roupa nenhuma supera o aconchego da tua presença.
Eu me acostumei com teu abraço e colo antes de sair ou pouco antes de ir dormir.
Como seria voltar pra casa e ao trocar de roupa não sentir teu perfume na gola da minha camisa?
Me acostumei com um conforto que transcendeu tudo aquilo que eu conhecia como confortável.
A rotina de ouvir tua voz no interfone é como um sopro de esperança e vida a cada dia que tenho a dádiva de ouvir.
Tenho me adaptado a ouvir o detestável som do despertador me lembrando que ali não é minha morada.
Me adaptei a entrar no elevador vendo você silenciosamente dizer que me ama pois vivo com a esperança de que em um curto espaço de tempo eu estarei vendo você abrir aquela porta amarela trancada a chave tetra.
Mas e quando sairmos junto dali, carregando suas malas, sabendo que não voltaremos a chamar o elevador, de que não estamos saindo pra passear ou apenas almoçar? E quando eu te (ou)vir dizer que me ama e souber que não serão alguns poucos dias separando nossos olhares?
Em questão de minutos, eu passarei a odiar aquele aeroporto que te trouxe a mim mas agora te rouba, ainda que eu saiba que você irá voltar, mas de forma tão breve quanto a neblina que atrasa os voos dali.
Eu fiquei mal acostumado com tudo que envolve você. Mas não que isso seja de todo ruim.
Amor, me acostumei com você.

Stephen S. M.

Eram mais de cem dias desde que esta contagem iniciou, entretanto, não tardou para que ela se resumisse a dois dígitos. Contávamos pacientemente ansiosos cada longa dezena. Eu mantinha a contagem na tela inicial do meu celular para sempre lembrar do que você me disse. A cada dezena que se findava nós sorríamos e o seu "estou chegando" era cada vez mais real. Enquanto isso, cada vez mais descobríamos coisas um sobre o outro, ou até mesmo sobre nós mesmos quando reparávamos nas nossas inúmeras semelhanças cautelosamente anotadas para que não nos esqueçamos o quão parecidos somos (oi, espelho meu).

Os dias passavam, se arrastavam como se quisessem postergar a melhor parte deles, a noite, quando a contagem diminuía enquanto nos víamos quietos e sorridentes pelo celular.
Quanto mais perto ficava, mais distante parecia. Por que o tempo cisma em desacelerar quando mais queremos que ele voe?
E falando em voar, você ia voar. Eu já sabia melhor do que você os dados do seu vôo.

Faltando um mês, percebemos que em quinze dias faltariam apenas quinze, e dentro de quinze dias, faltariam apenas quinze. Até que enfim, nossa última dezena de dias. Em breve a contagem se resumiria às horas restantes. Enquanto isso, você arrumava suas malas, tentava colocar o máximo de coisas para conseguir sobreviver aqui. Fazia sua lista e conferia pra ter certeza de que não esquecera de nada.

E de repente já não era mais sobre quantos dias faltavam, mas sobre quantas horas. A impaciência já tomara conta de mim enquanto eu me arrumava pra ir te buscar. Você tinha mandado mensagem avisando que havia embarcado no avião: você estava finalmente vindo.
Embora eu ame admirar os aviões na pista e no pátio, eu estava olhando impacientemente para a tela do aeroporto e do celular tentando acompanhar o status do seu voo. Eu queria saber exatamente qual era a aeronave na que você viria, já tinha decorado a matrícula dela. Minha vontade era de invadir a sala do controle e observar cada atualização de posição, cada fonia e pedir para a tripulação te anunciar que eu estava lá, aguardando sua chegada.


De repente lá estava ela com você dentro. Eu estava suando, mas não era de calor. Eu sabia que desceria um andar do aeroporto e dentro de alguns minutos, aquela porta abriria e você estaria ali. Tudo que sempre sonhamos e tanto falamos finalmente aconteceu. A porta se abriu, e você ali estava. Um abraço consolidava nossas expectativas. Até que enfim, em um abraço pude te olhar nos olhos e exclamar após um longo suspiro: "você chegou!".


Stephen S. M.

Encontro-me em uma estrada sem direção.

Desta vez, decidi assumir o volante e controlar o trajeto, mas nada sei sobre o futuro. Não sei para onde ele pretende me levar e também não tenho interesse em voltar ao passado. Este já provocou diversos acidentes em trajetos anteriores. 

Mesmo sem saber para onde vou, aprecio o caminho. Cada detalhe desta incrível viagem é essencial para que chegue o destino final. Porém, equívoco seria se dissesse que não tenho medo de não saber para onde vou. Tenho medo. Afinal, sou vulnerável, mas só me permito perder, se for para me encontrar. 

Nesta viagem, não tive horário de partida e também não tenho horário de chegada. Sigo em frente e sem olhar para trás. Talvez, a estrada não seja, de fato, sem direção. Talvez ela tenha apenas uma: seguir adiante. 

Pois inteligente não é aquele que não sabe para onde ir, mas aquele que sabe para onde não deve voltar.

- Amanda Trevisani

Tanto tempo aguardando
A espera estava findando
Só me restava esperar
Naquele saguão você chegar

Tantas coisas planejadas
Tantas lágrimas derramadas
A ansiedade não poderia me domar
Nem a pressa me controlar

Nada me restava fazer
Eu tinha que esperar você descer
Aquela porta tantas vezes se abria
Mas em nenhuma vez ela a mim te trazia

Subitamente por uma fresta passou
A deslumbrante imagem daquela por quem meu coração tanto aguardou
Finalmente pude dizer "eu sabia"
Minha mente pôde acreditar que você chegaria

Não sabia o que dizer
Faltam protocolos para o que deveria alí fazer
Me restava te abraçar e exclamar
Eu sabia que você iria chegar

Seja bem-vinda à sua nova morada
Que embora seja gelada
Há nela um lugar quente pra você se abrigar
Basta a mim você abraçar



Stephen S. M.

     

     Este texto é inspirado em uma dinâmica que foi realizada em aula pela minha professora de Psicologia na minha turma da faculdade. Sem sombra de dúvida, as aulas de Psicologia serão as aulas mais memoráveis que levarei de toda a minha graduação, e a professora será a mais memorável também. Ao longo do texto, espero que vocês entendam o porquê.

     Já estávamos no final da aula e também do dia, era por volta de 21h quando a professora pediu que pegássemos uma folha de papel em branco. Ela falou para imaginarmos uma pessoa para a qual quiséssemos dizer muitas verdades, aquelas famosas “poucas e boas” e que estivéssemos tendo a oportunidade naquele momento de dizer tudo aquilo que queríamos para aquela pessoa. E então pensamos um pouco e logo pudemos imaginar aquele papel preenchido com tudo que queríamos falar. Foi aí que a professora pediu para amassarmos o papel o máximo que conseguíssemos, e o fizemos. Depois, ela pediu para pegarmos aquela bolinha de papel e desamassar a fim de que ela ficasse o mais esticada possível. Todos fizeram novamente. Após isso, ela perguntou se a folha de alguém tinha ficado como estava antes de amassar e todos fizeram sinal negativo. E foi aí que ela nos ofereceu o mais belo conselho em forma de reflexão, dizendo:

“Pois é! Não dá para desfazer esses amassados, essa folha nunca mais será como antes. E é exatamente isso que acontece quando deixamos um momento de raiva falar mais alto. Esses amassados na folha são as marcas que vocês deixaram naquela relação em que disseram tudo que queriam para a pessoa. Foram marcas negativas e que não podem ser desfeitas. Às vezes, o que vocês disseram para a pessoa nem era exatamente o que vocês queriam dizer, ou pelo menos não de uma maneira tão autoritária e rude. Talvez, por um minuto a mais, vocês nem dissessem nada daquilo. Procurem pensar melhor e tentem deixar marcas positivas, as quais vocês gostariam que as outras pessoas lembrassem depois. Já pensaram em quais marcas vocês têm deixado na vida das pessoas? Vão para casa pensando nisto: Quais marcas vocês têm deixado? Até a próxima aula. Bom estar com vocês.”

     Eu não sei os meus colegas, mas eu realmente fui para casa pensando sobre isso. Pensei nas oportunidades que tive de falar tudo o que eu queria para alguém, e acabei me expressando da maneira errada por conta da raiva e criando marcas que perduram na minha relação com aquela pessoa até hoje. Já pensei também nas oportunidades que tive de rebater uma ofensa, mas sabiamente preferi me calar e fiz a relação andar de maneira diferente, provocando uma mudança positiva naquele relacionamento. E fui mais fundo, pensei em qual marca tenho deixado no mundo. Refleti sobre qual visão acerca de mim mesma tenho provocado nas pessoas que me cercam, a partir da minha maneira de falar com elas, de me posicionar quando algo me desagrada e da minha maneira de responder a uma crítica. Tudo isso me levou a enxergar o quanto ainda preciso melhorar como pessoa e como indivíduo que diz buscar a melhoria de um mundo tão cruel e carente de amor.

     É incrível como a simples atitude de se colocar no lugar do outro e tentar pegar os ouvidos e o coração dele emprestados faz toda a diferença.  Eu já falei coisas para pessoas que eu não gostaria de ouvir nem do meu pior inimigo. E também já falei coisas belíssimas que eu mesma nunca tinha escutado das pessoas que me cercavam. Nisso, eu percebi que preciso oferecer e ser aquilo que eu gostaria de receber. Mas precisei perder amigos e precisei da reflexão da minha maravilhosa professora-doutora e psicóloga clínica para aprender isso. E eu espero, de coração, que você não precise de muito para perceber que as suas relações podem estar escorrendo pelos seus dedos e se desfazendo por causa das suas palavras mal colocadas e mal pensadas em um momento explosivo e totalmente passageiro.

     Estamos perdendo cada vez mais o humanismo, que é aquele momento em que saímos do nosso egoísmo diário e passamos a esticar mais o braço para o outro. O humanismo também seria aquele momento em que entendemos que existe algo em nós que nos diferencia dos demais cidadãos que habitam a Terra e que não há nada de errado em ser diferente e conviver com as diferenças. Precisamos lutar para atingir uma segurança que nos permita manter uma relação saudável com nós mesmos e com os que nos cercam. A nossa existência precisa ser celebrada, e que essa celebração se estenda a todos que partilham do mesmo espaço que nós, com o objetivo de atingir aqueles que não partilham e estão localizados em esferas geográficas mais distantes. Assim, criaremos um ciclo vicioso, porém não mais de ofensas e rebatimentos, mas de amor, o amor que o mundo tanto carece.

     Vejo muita gente tatuando “empatia” no corpo, e esquecendo de tatuar no coração. Como minha professora disse: “um dos maiores problemas do mundo é a desumanidade do humano”. Que a gente possa refletir sobre o efeito que nossas palavras estão causando no outro, se elas estão contribuindo para que o mundo fique cada vez mais cruel, ou se estão contribuindo para o tal “mundo melhor” que tanto sonhamos. Porque às vezes parece que esquecemos que nós somos os próprios causadores de toda e qualquer desgraça existente no mundo, a começar pelo que sai da nossa boca.


     Quais marcas vocês têm deixado?


 "O que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem." (Mateus 15:11)



- Brígida Gabriela


Antes de começar, gostaria de avisar que o texto é bilateral, vale para ambos os lados. E leia até o final antes de querer me bater.

"Você é a mulher mais linda desse mundo". Quem nunca ouviu esta mentira?
Não, garota, você certamente não é a garota mais linda do mundo para o seu namorado (nem pra maioria das pessoas à sua volta). E não tem nada de errado nisto. Está tudo bem, acredite. Espero te provar isto até o final do texto.
Somos acostumados a ouvir e falar isso, é força do hábito e uma construção da nossa sociedade. Não dizer isto ou dizer algo diferente pode soar como um "não gosto mais de você", "tenho interesse em outra mulher". Mas vamos jogar com fatos: você certamente não é a mulher mais linda do mundo para o seu namorado (nem pra maioria das pessoas à sua volta). Mas entenda que está tudo bem. Isto não é um problema (ou ao menos não deveria ser).

Carregamos uma imagem errada de amor atrelado à beleza. Seu namorado provavelmente olha para a foto de outras garotas, atrizes, modelos e as acha mais bonitas do que você. Agora pare e pense um pouco: qual o problema disso senão o corrosivo ciúme que você pode acabar alimentando? Quem disse que amor é dependente da noção de beleza?
Amor vai além, amor não se limita à atração física/sexual (isso tem outro nome. E garotos: isso não justifica você quase quebrar o pescoço pra olhar uma "bundinha de academia"). Por mais que exista outra pessoa mais bonita do que você, isso não significa que aquela pessoa desperte mais sentimentos no seu namorado. Amor é algo que vem de dentro, que usa as aparências apenas como ponte pra ligar uma alma sedenta àquela que mata sua sede por outra pessoa.
Beleza é relativa e superficial, e seus padrões bem como a noção individual do que beleza é mudam constantemente neste mundo. Mas seu namorado vai enxergar a beleza de um sorriso bobo seu ou se encantar com seu olhar para ele. O amor é cego, de fato. Ele não precisa ver pra sentir, até porque o amor não é físico; é abstrato. Ele existe em uma outra dimensão da qual não temos acesso senão pelo próprio amor. Ele existe quando você acabou de acordar, descabelada e de cara torta ou quando está na maca de um hospital recebendo soro na veia.

É bem provável que alguma vez na vida tenha visto um casal e pensou "caramba, como uma garota tão linda ficou com um cara feio desse jeito?". Enquanto você olhava pra beleza exterior, que dentro de alguns anos irá se acabar (bem como a sua, lamento informar), a outra se deixava seduzir por uma alma bela. Agora me diga: qual tipo de casal você mais vê dar certo, o "casalzão" de insta que parecem dois modelos ou aquele casal mais ou menos que você não consegue entender de onde sai tanto amor?

Este mundo não passa de um teatro de aparências. E nessa de viver por fora, onde seios fartos e nádegas firmes valem mais do que uma intimidade de alma, onde ostentar likes em fotos parece mais sensato do que ter coragem e caráter de conhecer alguém e se deixar ser conhecido ao invés de sustentar uma imagem falsa de quem você é, relacionamentos medíocres e supérfluos reinam livremente trazendo desgosto e desgraça na vida de muitos. Feliz é quem não se deixa enganar, ama por dentro primeiro e não idolatra a volátil beleza.
E se você se olhar no espelho e bater aquela insegurança por não se achar tão bonita, bem, de fato você pode não ser tão bonita no espelho, mas o sorriso maravilhoso que você dá apaixonada pro seu namorado só ele vê. E foi isso que atraiu ele.

Feliz é quem foi seduzido por uma alma entregue nua e não por um escultural corpo despido.



Stephen S. M.


(trilha sonora sugerida: Evanescence - October)

Eu trilhei diversos caminhos. Trilhas pesadas, caminhos de pedra, rotas íngremes. Segui por lugares que nem mesmo eram caminhos, embora eu achasse que fossem, ou apenas mentia para mim no desespero de me achar em algum lugar.
Quando me encontrei à beira do penhasco, já não estava nem um pouco afim de caminhar mais. Era mais fácil ficar sentado esperando socorro, mas nem deu tempo: quando pensei em desistir, eu caí. Foi a sensação mais estranha que já tive.
Não, não foi estranho cair. A sensação da queda livre é até que prazerosa. Estranho foi cair em seus braços. Por que você me segurou? Justo eu?

Eu só queria chorar. Cansado, me entreguei à você. Eu não tinha muito a fazer. Me desculpe chegar nesse estado, mas eu juro que só estava buscando um caminho. Graças a Deus você era forte o suficiente pra me segurar.
Depois de tanto cuidar de mim, quem diria, aqui estou eu, ainda caindo.
E eu tenho gostado disso.

Tenho tropeçado nos seus suspiros quando olha pra mim. Aprisionado por seu olhar apaixonado, esqueço de olhar pra frente, tropeço e caio. Caio no seu amor, caio no seu afago. É difícil não me prender no seu olhar: como eu amo ele!
Seu sorriso bobo me põe no chão e me mantém ali. Não tenho forças pra lutar contra e resistir ao encanto da sua mais sincera e explícita expressão de paixão. É difícil dizer se é seu sorriso largo ou seu olhar profundo que golpeia mais fortemente meu coração e rende minh'alma. Amo os dois, amo você.
Descuidado caí na sua graça, que me acolheu indiscriminadamente. Mesmo ferido, fraco e pobre, você me acolheu enquanto eu caia. E não haveriam cuidados melhores do que os seus.

Quando desisti, você se determinou.
Quando me entreguei, você me aceitou.
Quando tropecei, você me segurou.

Amor, eu cai. Caí de encantos por você, caí nos seus braços de amor.


Stephen S. M.

Trilha Sonora: O vencedor - Los Hermanos

O vencedor antes de vencer
Teve de perder
Teve de sofrer

O vencedor antes de vencer
Teve de colher
Escárnio e mal dizer

O vencedor antes de vencer 
Sentia à flor da pele
A dor

O vencedor antes de vencer
Sentia à flor da pele
O ardor da falta de amor

O vencedor antes de vencer
Foi obrigado a crer
Que sua dor era indolor

O vencedor antes de vencer 
Foi obrigado a crer
Que o mal era imortal

O vencedor antes de vencer
Cansou desse tal cansaço
E de seu companheiro ser só um maço

O vencedor antes de vencer
Reconheceu que não era feito de aço
Mas que não era um descompasso

O vencedor antes de vencer
Se envolveu no abraço
Do laço de seu próprio eu...

E venceu.

- Amanda Trevisani


Permita-se inundar. Olhe o mar e inspire-se nele.

Seja tão azul quanto ele nos dias alegres e tão cinza quanto ele nos dias nem tão bons assim.
Seja tão calmo quanto ele nos dias de calmaria e tão intenso quanto ele nos dias de aprendizado.

Permita que o céu azul complemente a sua paz, mas permita que o céu chuvoso complemente a sua valorização quando a felicidade chegar.

Já quanto a profundidade, jamais permita a si mesmo permanecer apenas no raso.
Permita-se inundar. Olhe o mar e inspire-se nele.

Deixe-se afogar e dessa vez, não grite por socorro. Seja a sua própria salvação.
Seja infinito.

- Amanda Trevisani

Probabilidade menor do que ganhar nas loterias
Dois mil e quinhentos quilômetros de distância
Mal sabíamos que nada disso teria importância

Cerca de 140 gigantes de 24 horas
E um "boa noite" sinalizando a vitória em comum
E cada "bom dia" dizendo que mais um é menos um

Tantas coincidências que não eram obra do acaso
Cada "eu também" que até na dor mostrava
A dimensão do tanto que meu reflexo me amava

O tempo está correndo, os dias passando
A contagem está se findando
E nossos lábios já os sinto se tocando

Nossos (a)braços tremendo, nossa mente nos deixando
Pois depois de tantos erros, chegou o descanso
Chegou meu milagre, e acabei chorando

As lágrimas, não se engane, não são de dor
Depois de tanta batalha, enfim, pude descobrir
E sentir o que sabemos ser o verdadeiro amor

Intenso e incondicional
Ilimitado, irrestrito
Improvável e final.



Stephen S. M.




E quando eu vejo
Já estou perdido
Perdido no seu olhar
Que me enche, me transborda
Eu não penso em mais nada
E quando eu vejo
Já estou perdido

Perdido nas curvas do teu sorriso
Ah, eu me encontrei
Me encontrei nesse sorriso bobo
Nesse sorriso sincero
Que me alimenta de esperança
Que me tira o medo
Só quero viver, só mais um pouco
Só até poder ver
E transbordar em ti de novo


-Rafael Melo

Tem dias que a gente precisa amanhecer.
Dormir no inverno e acordar no verão.
Sair da prisão e ver o sol novamente.
Esquecer quem já não está mais presente.

Tem dias que a gente precisa guardar as lembranças só na memória.
Jogar as fotos do passado na escória, deixar explodir no peito e então se recompor. 
Dormir na dor e acordar no recomeço.

Sem você, hoje me deito só, sem cor, sem vida e sem amor.
Amanhã, me permito um novo começo de uma ida em prol de algo maior que ainda desconheço.
Amanheço, mas não sou mais só.
Sou sol.

- Amanda Trevisani

Vocês parecem não saber o que é esta palavra. Se sabem, a maioria então não entendeu seu real significado, e provavelmente por nunca terem experimentado isso. Algo que falta no mundo, um buraco enorme a ser preenchido na humanidade. Aquele amor que todo mundo procura e não sabe, aquilo que deveríamos ser e não somos.

É fácil "amar", estar do lado da outra pessoa enquanto tudo é agradável. Enquanto os lábios se encontram, os abraços aquecem, os sorrisos são compartilhados e as lágrimas são de risadas. É fácil dizer que ama.
Assim também é enquanto o outro faz o que você quer ou precisa, enquanto ele serve aos seus interesses, enquanto pode usá-lo sem que ele se sinta usado.
Mas e quando tudo isso acaba? E quando o amor mais precisa se mostrar presente, o que a maioria faz? Foge.
Tenho algo a lhes dizer:

Isso não é amor. É no máximo paixão. E das mais ordinárias.
Amor é desinteressado, amor é desmedido, ilimitado. Ele existe na alegria e na tristeza, na conversa agradável ou na discussão, quando prevalece o respeito e não o orgulho.
Presente no consolo quando as lágrimas são de dor e de tristeza, quando você se cala para ouvir a dor do outro.
O amor não se ira, não se acovarda diante do ciúme. O amor é manso e confia.
O amor é desinteressado. Não busca o dinheiro, a fama ou glória. A correspondência do amor alheio é seu único desejo.
Amor esmaga o orgulho e, ao invés de guardar rancor, perdoa. Não da boca pra fora, mas por dentro, pois não permite que algo tão insignificante, baixo e mesquinho ocupe o lugar do maior dos sentimentos.
O amor é paciente, espera pelo outro qual seja seu tempo.
Ele sente a dor alheia e se compadece.
Ele suporta as dores e suporta às pessoas.
Amor é aquela coisa que a gente não sabe explicar.
É cheio de intensidade, arranca de você a sua melhor parte, te dá aquele frio na barriga gostoso e faz você sorrir toda vez que é golpeado pela beleza alheia que só você enxerga (e não falo apenas da externa!).

Mas acima de tudo, amor é incondicional. Guarde esta palavra: incondicional.
Ele não é covarde como você: ele fica diante das dificuldades, das lutas. Permanece resiliente mesmo nas adversidades, quando tudo parece jogar contra.
Porque é fácil fugir, é fácil ficar na zona segura da paixão.
E de paixão em paixão, nós e o mundo quebramos a cara e sofremos. Mas no amor há esperança, há cura, descanso e paz.
O amor existe incondicionalmente e a incondicionalidade é amor.



Stephen S. M.

Os riscos são como uma viagem que não se sabe o destino. 

Sabe quando se entra num ônibus, mas não se conhece o ponto onde precisa descer? Bate o nervosismo e bate a ansiedade. Procuramos informações, procuramos pistas e as vezes ligamos para alguém. Sabemos as coordenadas, mas não conhecemos o caminho. De nada adianta. 

E nisso tudo acabamos por esquecer de algo importante: observar o trajeto e nos acharmos sozinhos. 

Os riscos são como uma viagem de ônibus. Sabemos o ônibus que estamos adentrando. Mas, nem sempre sabemos para onde ele vai. Nem sempre sabemos por onde percorrerá.

Não sei onde chegaremos, mas sei que vamos chegar. Não sei quando chegaremos, mas sei que vamos chegar. E nessa viagem sem destino, decidimos assumir o maior risco de nossas vidas: conhecer a nós mesmos em um trajeto inusitado. 

Já diziam sábios por aí: não é sobre quem chega primeiro. É sobre quem consegue chegar.

Assumo o risco. E dessa vez, não quero tentar assumir o volante. Quero viajar.

- Amanda Trevisani


Admiro você.
Calma. Não vou falar sobre sua beleza hoje. Já falei bastante e haverão mais oportunidades.
Admiro você pela sua força. Sim, sua capacidade de continuar de pé.
 

 Eu não me imagino no seu lugar, passando por tudo que você tem passado. Eu já quis desistir de tudo por muito menos, enquanto você está aí, mesmo machucada, cansada, chorando e sem perspectivas, de pé, tentando caminhar.
 Você tira forças de algum lugar que não sabe, e assim, mesmo querendo já ter desistido, sobreviveu a todos aqueles que você chamou de pior dia da sua vida. Se você está aqui é somente porque conseguiu passar por cima de todos os seus piores momentos.
 Então por que achar que não conseguiria continuar neste ritmo?
 Você demonstra resiliência, e isto é encantador. Quando te derrubam, me diz que não vai mais conseguir levantar, contudo, não demora até que esteja de pé nocauteando implacavelmente os dias sombrios.
 

Caramba! Quem dera eu fosse forte como você!
Você está indo muito bem, pessoa.
Você está indo muito bem.

Stephen S. Madeira

Eu sei que com a correria
Do dia a dia
Se pudesse
Você viria

Se pudesse me daria
A alegria em te ver

Se pudesse faria
O tempo parar de correr 

Se pudesse faria
O tempo parar
Para me ver

Se pudesse olharia
Para o passado
E riria

Se pudesse viveria
O presente 
E me abraçaria

Se pudesse enxergaria
O futuro em nós
Entre nós

Se pudesse enlaçaria
Seus braços
Em laços de nós

Se pudesse me olharia
E diria
Que sentia minha chegada

Se pudesse chegaria 
De pegada em pegada
De pés e de amor

E diria à nossa empatia
Que doía minha partida
Fique por favor

Eu sei que com a correria
Do dia a dia
Se pudesse 
Você viria

E assim escreveria
Teus lábios nos meus
Assim como escrita está
Esta poesia no meu eu.

- Amanda Trevisani
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Feito por pessoas comuns

Assim como você, sofremos com os dramas que a vida nos trás. Sejam eles dentro de relacionamentos, dentro de trabalho, dentro de faculdade... A vida é no entanto, meio dramática mesmo.
Escrever é observar os pequenos detalhes que podem tornar este drama, um clássico com premiação de tapete vermelho.

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