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Última segunda-feira do ano. Perto da meia noite, muitas pessoas abraçadas aguardando o que pra elas é a virada do ano. Elas esperam fogos, estouram champagnes e espumantes, comem e festejam em grupos pequenos ou grandes. Sinceramente, eu já nem via mais graça nisso tudo. Nada nunca mudava de forma significativa. Mas nada é pra sempre, não é mesmo?

Minha virada de ano aconteceu mesmo foi lá atrás, dia 17 de março, também em uma madrugada. A gente começou a virar as coisas, nossas bagunças, medos, sentimentos e viramos a noite. Virei às costas para o medo para poder cumprimentar a coragem e te propus o que para você já era certo. Foi ali, naquele seu intrépido sim sem titubear que meu ano virou. E eu nem fazia ideia de como.

Novos planos surgiram, coisas mudaram, se resolveram, tornei-me melhor. Realmente descobrir o amor nos muda.
Você virou minha rotina, independente de quão corrido ou puxado fosse meu dia sempre tinha um espaço pra nós (embora eu não raramente dormia no meio de nossas conversas, mas ah, você fazia o mesmo). Você quase cruzou o país pra me conhecer, pra gente passar um tempo juntos, e nossa vida foi acontecendo em meio a tudo isso. Saímos, passeamos, comemos coisas diferentes. Você conheceu e ganhou uma nova família. Você virou parte dos almoços de Domingo, virou o rosto mais distinto em meio às milhares de pessoas dentro daquela Universidade, virou o número de apartamento preferido do meu ano.

E o garoto certinho matou aula pra cruzar a cidade duas vezes pois aprendeu que existem coisas mais valiosas na vida do que o sentimento de responsabilidade contínua, foi dormir mais tarde várias vezes mesmo sabendo que estaria morto no dia seguinte no trabalho. Fez algumas loucuras, se divertiu, viveu como nunca. Ou melhor: finalmente viveu. A vida parece ter começado só agora, tudo parece começar a ter sentido e propósito desde a virada de ano. E logo eu que nuca acreditei em resoluções de fim de ano passei a acreditar nelas. Logo eu que há um ano atrás achava estar finalmente trilhando o que achava ser um bom caminho, achava que meus sonhos de ano novo eram bons descobri, graças a Deus, que às vezes, dar tudo errado é a melhor e mais certa coisa a nos acontecer. Quem somos nós diante das surpresas da vida, não é mesmo?

A gente mudou, cresceu, se envolveu. Você criou um novo calendário, onde 31 de Dezembro é apenas um dia festivo, nem parece mais virada de ano. Afinal, meu bem, virada de ano mesmo foi o que você fez quando me disse sim.

Quando é que faremos nossa próxima virada de vida mesmo?




Stephen S. M.



Seguir
Verbo pequeno 
Porém tão complicado 
Se hoje sigo algo ou alguém 
Aos que me assistem 
Posso até causar um estrago 

Pois não é apenas seguir 
É que daquilo que o seguido prega 
Eu jamais devo fugir 
Se desvio aqui ou ali 
É falso todo passo 
Do meu seguir 

Todo extremismo é vedado 
Mas quando falo de Ti
De meus conceitos me desarmo 
Só lembro do que causa afago 
E da paz em apenas seguir

Seguir-Te não pelo título 
De seguidor que recebi 
É por precisar diariamente 
E de maneira incessante
Do alimento  
Que só encontrei em Ti

Sigo não por seguir
Sigo por precisar 
E precisar cada dia mais do Teu fluir
Pois assim como as plantas 
Seguem o sol
Eu sigo a Ti 

- Brígida G. V. Carvalho 
Foto: @brigidagabrielavieira



       Ler sobre recomeço é sempre muito inspirador, reaviva a esperança e a paz. E de fato, precisamos nos manter esperançosos para o futuro, ainda que o presente que vivenciamos não seja tão agradável aos olhos. Somos movidos e renovados pela esperança e quando a perdemos, estamos correndo um sério risco de nos perdermos de nós mesmos também. Já pensou nisso?

       Sempre defendi que a esperança não deve ser a última que morre, mas a única que nunca deve morrer. Até porque com a esperança morta, mortos nós também estaremos. E embora sejamos seres completamente lúdicos que vivem pelo que veem, não devemos basear o sucesso do futuro pelo fracasso do presente, pois nada na vida é eterno, nem tristeza e nem alegria. Nenhuma condição é imutável e todo desastre é plenamente capaz de se transformar em milagre. 

       Sim, toda situação tem potencial para gerar um milagre. E milagres acontecem todos os dias. Você ter acordado respirando hoje foi um deles. Aproveite esse breve instante que Deus e a vida estão te concedendo e vá à luta para mudar tudo aquilo que te desagrada. Lute sempre convicto(a) de que nenhum trabalho árduo é em vão e que os melhores resultados são os que mais demoram a aparecer. 

       Não espere condições favoráveis, pois condições favoráveis na verdade nem existem e nunca existirão se você for esperar por elas. Mas se você decidir arregaçar as mangas, você mesmo pode criar a situação perfeita para realizar o projeto que quiser. Em meio ao caos das águas sempre são formados os melhores marinheiros, por que em meio ao caos da vida não poderiam ser formados os melhores sobreviventes? Você pode ser um deles e isso só depende de você. 

       Não se iluda com as circunstâncias ruins. Posso te contar um segredo de amiga? As circunstâncias são mentirosas e nos cegam todos os dias. Só estão aí para nos fazer desistir daquilo que já é nosso. Não caia na asneira de acreditar que elas ditarão o seu futuro. O melhor a se fazer é ignorá-las desde agora, no presente. 

       Recomeçar é preciso. Independente do momento. Não estamos na virada do ano ainda e nem precisamos esperá-la chegar para a inspiração e esperança baterem. A vida é um sopro. Com um sopro vem e com outro vai. Abrace esse momento atual, pois ele é perfeito para a mudança que você sempre quis ver ou ser. 

       Vamos recomeçar? Depende única e exclusivamente de você, mas espero, de coração, que esse empurrãozinho tenha ajudado.❤️

“Por isso, nunca desistimos. Ainda que nosso exterior esteja morrendo, nosso interior está sendo renovado a cada dia. Pois estas aflições pequenas e momentâneas que agora enfrentamos produzem para nós uma glória que pesa mais que todas as angústias e durará para sempre. Portanto, não olhamos para aquilo que agora podemos ver; em vez disso, fixamos o olhar naquilo que não se pode ver. Pois as coisas que agora vemos logo passarão, mas as que não podemos ver durarão para sempre.”    (2 Coríntios 4:16-18)

Texto: Brígida Gabriela Vieira de Carvalho
Foto: @brigidagabrielavieira


A gente se encaixa
Seja no abraço apertado
Seja nos planos de vida

A gente se encaixa
E se precisar separar pra corrigir o encaixe mal feito
A gente se encaixa de novo

A gente se encaixa
De conchinha pra dormir
Ou no olhar perdido no fundo da alma alheia

A gente se encaixa
Somos peças de mil pinos
Compatíveis um a um

A gente se encaixa
Como peças de brinquedo
Com flexibilidade e solidez

Como peças da vida um do outro
Como peças na mão de um Ser criativo
A gente se encaixa

E Ele nos encaixa
Em uma montagem sem folga
Em uma sequência perfeita

Pra um plano maior
Pra uma montagem real
A gente se encaixa


Stephen S. M.



Eu sinto saudades do futuro
Sim, meu passado se tornou irrelevante
Já não mais ocupa lugar aqui

Pois o espaço que restava fora ocupado

Eu sinto saudades do futuro

De deitar na cama com você
E sentir um gostinho
Do que teremos pela frente

Eu sinto saudades do futuro
Saudades de experimentar
O que nunca provei
Mas é o que quero, e isso eu bem sei

Eu sinto saudades do futuro
De ser pego admirando
A maravilhosa imagem
Daquela que dividirá uma cama comigo

Eu sinto saudades do futuro

Saudades da sensação de que não dividirei uma cama
Nem uma casa apenas
Mas toda uma vida e quem somos

Eu sinto saudades do futuro

Saudades dos dias porvir
Onde não tinha mais alarme nem despertador
Que me separe do teu calor

Eu sinto saudade do futuro
Não gosto de viver às memórias

Das sensações e momentos que me lembram
O quão bom tua presença é

Eu sinto saudades do futuro

De experimentar semanalmente
O que planejamos e uma pequena parte
De tudo que viveremos

Eu sinto saudades do futuro

Como eu amo provar
Uma pequena fração
De tudo que Deus há de me dar

Eu sinto saudades do futuro

Saudades de viver minha vida
Que não será minha mais nossa
Pois meu futuro, meu bem, é com você.

E é por isso que eu sinto saudades do futuro
Pois sinto saudades do você

Saudade que sinto
Mesmo cinco minutos depois de te ver.


Stephen S. M.


Eu nunca lhe dei um mapa
Eu apenas te disse onde chegar e instruí sobre o que precisaria para a viagem

Embora parecesse saber melhor do que eu

Nunca lhe falei qual estrada pegar durante o caminho
Te dei apenas as direções para começar a viagem
E você foi sem nenhum mapa online nem GPS

Você parecia saber o caminho melhor do que eu
Sendo que esta rota era a minha rota
E você a trilhou melhor do que eu jamais trilhei

Quem é você? Já nos conhecíamos antes?
Você não se perdeu, soube ler o caminho
Seu instinto é um mapa perfeito

Como você observou tão bem o caminho
E tomou as decisões, mudou as rotas no ponto certo
Sem nunca ter antes passado por aqui?


Você dizia não saber o caminho
Mas por não ter medo e confiar
Chegou ao destino. Como?


Me explique, meu bem, como você conseguiu
Passear por mim, como você cruzou as estradas do meu corpo
Me fazendo sentir um estranho no meu próprio percurso

Me diga quem é você senão quem me conhece melhor do que eu mesmo
Ainda que jamais tivéssemos nos visto antes
Me diga, me ensine a viajar, pois está foi a melhor viagem de todas.




Stephen S. M


Teu corpo é estrada
Na qual eu viajo
Sem pagar pedágio
Trafego sozinho

Sem o traçado conhecer
Conduzo com cautela
Pois como em toda via
A segurança está nos limites dela

Como em qualquer outra
Retas são entediantes
Sem muito o que fazer
Quase durmo no volante

São das curvas que eu gosto
Mas nelas preciso ir devagar
A diversão está justamente
Em admirar a paisagem sem me apressar

Sem correr pra não me acidentar
Gosto até da sensação de pisar no freio
Devagar tenho mais chance
De admirar tudo e chegar inteiro

Talvez seja o perigo destas curvas
Que as torne tão prazerosas
Se para alguns isto é medo
Para mim é aventura valiosa

Diferente de qualquer outra estrada da vida
Desta pareço jamais me cansar
Afinal, são estes curvos caminhos
Que me levam para o meu lar.


Stephen S. M.



Quando a saudade aperta e a fome diz "oi"
Parece haver um dia da semana pensado pra isso
Não sei se foi sempre assim ou se todos sentem esta necessidade
Mas ah, como é bom encher a casa

Talvez a gente não encha com pessoas
Pode ser que até sobre espaço
Na mesa de seis lugares esculpida na madeira
Mas isto não é problema
Se a casa estiver cheia

A impaciência de saber se a comida ficou boa
E se todos gostarão
Acordar um pouco mais cedo talvez
Pra acender o carvão
E preparar todos os mise en place
Receber as pessoas com um caloroso abraço
Talvez até mesmo com um beijo
Independente de como for
Como é bom encher a casa
Encher a casa com o cheiro de comida caseira

E sons de conversa e risadas
Ficar tempo sentado à mesa
Curtindo muito além da comida
Que embora seja muito boa
Talvez seja apenas pretexto

Para juntar todo mundo e matar a saudade
Não importa se é família de sangue

Amigo ou recém chegado na família
Quem sabe até mesmo um novo amigo
Não há nada tão familiar e aconchegante
Como um almoço de domingo.

Stephen S. M.


Não, já não sei mais viver sem te ver, se é que não te ver é de alguma forma viver e não sobreviver.
No frio desta cidade só teu calor me aquece; roupa nenhuma supera o aconchego da tua presença.
Eu me acostumei com teu abraço e colo antes de sair ou pouco antes de ir dormir.
Como seria voltar pra casa e ao trocar de roupa não sentir teu perfume na gola da minha camisa?
Me acostumei com um conforto que transcendeu tudo aquilo que eu conhecia como confortável.
A rotina de ouvir tua voz no interfone é como um sopro de esperança e vida a cada dia que tenho a dádiva de ouvir.
Tenho me adaptado a ouvir o detestável som do despertador me lembrando que ali não é minha morada.
Me adaptei a entrar no elevador vendo você silenciosamente dizer que me ama pois vivo com a esperança de que em um curto espaço de tempo eu estarei vendo você abrir aquela porta amarela trancada a chave tetra.
Mas e quando sairmos junto dali, carregando suas malas, sabendo que não voltaremos a chamar o elevador, de que não estamos saindo pra passear ou apenas almoçar? E quando eu te (ou)vir dizer que me ama e souber que não serão alguns poucos dias separando nossos olhares?
Em questão de minutos, eu passarei a odiar aquele aeroporto que te trouxe a mim mas agora te rouba, ainda que eu saiba que você irá voltar, mas de forma tão breve quanto a neblina que atrasa os voos dali.
Eu fiquei mal acostumado com tudo que envolve você. Mas não que isso seja de todo ruim.
Amor, me acostumei com você.

Stephen S. M.

Por favor, não olhe assim para mim
Não lance sobre mim este olhar
Apoiada na porta enquanto tento ir embora
Não tenho forças pra lutar contra seu desejo por mim
Preciso ir, já deu minha hora. Te prometo que nos veremos amanhã
Mas por favor, não me olhe assim apoiada na porta do seu ap

Não pisque para mim
Não me chame de volta sussurrando
Pois assim me rendo a ti
Você sabe como eu queria voltar
Ficar mais um pouco deitado com você

Sentir e deixar em mim mais um pouco do teu perfume
Deixar você sentir meu peito pular de paixão por ti
E tocar teu rosto macio e delicado

Não quero lembrar neste momento quão bom foi ter você em meus braços
Ou ouvir você cantar comigo enquanto sorria para mim naquele sofá
Definitivamente dispenso agora qualquer memória de tudo aquilo
Pois preciso ir para a casa, e infelizmente minha casa (ainda) não é nossa
Dolorido é abrir a porta daquele elevador, não para subir, mas para descer
Mas assim foi, é e será
Até que um dia, compartilhemos o mesmo lar.


Stephen S. M.

Eram mais de cem dias desde que esta contagem iniciou, entretanto, não tardou para que ela se resumisse a dois dígitos. Contávamos pacientemente ansiosos cada longa dezena. Eu mantinha a contagem na tela inicial do meu celular para sempre lembrar do que você me disse. A cada dezena que se findava nós sorríamos e o seu "estou chegando" era cada vez mais real. Enquanto isso, cada vez mais descobríamos coisas um sobre o outro, ou até mesmo sobre nós mesmos quando reparávamos nas nossas inúmeras semelhanças cautelosamente anotadas para que não nos esqueçamos o quão parecidos somos (oi, espelho meu).

Os dias passavam, se arrastavam como se quisessem postergar a melhor parte deles, a noite, quando a contagem diminuía enquanto nos víamos quietos e sorridentes pelo celular.
Quanto mais perto ficava, mais distante parecia. Por que o tempo cisma em desacelerar quando mais queremos que ele voe?
E falando em voar, você ia voar. Eu já sabia melhor do que você os dados do seu vôo.

Faltando um mês, percebemos que em quinze dias faltariam apenas quinze, e dentro de quinze dias, faltariam apenas quinze. Até que enfim, nossa última dezena de dias. Em breve a contagem se resumiria às horas restantes. Enquanto isso, você arrumava suas malas, tentava colocar o máximo de coisas para conseguir sobreviver aqui. Fazia sua lista e conferia pra ter certeza de que não esquecera de nada.

E de repente já não era mais sobre quantos dias faltavam, mas sobre quantas horas. A impaciência já tomara conta de mim enquanto eu me arrumava pra ir te buscar. Você tinha mandado mensagem avisando que havia embarcado no avião: você estava finalmente vindo.
Embora eu ame admirar os aviões na pista e no pátio, eu estava olhando impacientemente para a tela do aeroporto e do celular tentando acompanhar o status do seu voo. Eu queria saber exatamente qual era a aeronave na que você viria, já tinha decorado a matrícula dela. Minha vontade era de invadir a sala do controle e observar cada atualização de posição, cada fonia e pedir para a tripulação te anunciar que eu estava lá, aguardando sua chegada.


De repente lá estava ela com você dentro. Eu estava suando, mas não era de calor. Eu sabia que desceria um andar do aeroporto e dentro de alguns minutos, aquela porta abriria e você estaria ali. Tudo que sempre sonhamos e tanto falamos finalmente aconteceu. A porta se abriu, e você ali estava. Um abraço consolidava nossas expectativas. Até que enfim, em um abraço pude te olhar nos olhos e exclamar após um longo suspiro: "você chegou!".


Stephen S. M.

Encontro-me em uma estrada sem direção.

Desta vez, decidi assumir o volante e controlar o trajeto, mas nada sei sobre o futuro. Não sei para onde ele pretende me levar e também não tenho interesse em voltar ao passado. Este já provocou diversos acidentes em trajetos anteriores. 

Mesmo sem saber para onde vou, aprecio o caminho. Cada detalhe desta incrível viagem é essencial para que chegue o destino final. Porém, equívoco seria se dissesse que não tenho medo de não saber para onde vou. Tenho medo. Afinal, sou vulnerável, mas só me permito perder, se for para me encontrar. 

Nesta viagem, não tive horário de partida e também não tenho horário de chegada. Sigo em frente e sem olhar para trás. Talvez, a estrada não seja, de fato, sem direção. Talvez ela tenha apenas uma: seguir adiante. 

Pois inteligente não é aquele que não sabe para onde ir, mas aquele que sabe para onde não deve voltar.

- Amanda Trevisani

     

     Este texto é inspirado em uma dinâmica que foi realizada em aula pela minha professora de Psicologia na minha turma da faculdade. Sem sombra de dúvida, as aulas de Psicologia serão as aulas mais memoráveis que levarei de toda a minha graduação, e a professora será a mais memorável também. Ao longo do texto, espero que vocês entendam o porquê.

     Já estávamos no final da aula e também do dia, era por volta de 21h quando a professora pediu que pegássemos uma folha de papel em branco. Ela falou para imaginarmos uma pessoa para a qual quiséssemos dizer muitas verdades, aquelas famosas “poucas e boas” e que estivéssemos tendo a oportunidade naquele momento de dizer tudo aquilo que queríamos para aquela pessoa. E então pensamos um pouco e logo pudemos imaginar aquele papel preenchido com tudo que queríamos falar. Foi aí que a professora pediu para amassarmos o papel o máximo que conseguíssemos, e o fizemos. Depois, ela pediu para pegarmos aquela bolinha de papel e desamassar a fim de que ela ficasse o mais esticada possível. Todos fizeram novamente. Após isso, ela perguntou se a folha de alguém tinha ficado como estava antes de amassar e todos fizeram sinal negativo. E foi aí que ela nos ofereceu o mais belo conselho em forma de reflexão, dizendo:

“Pois é! Não dá para desfazer esses amassados, essa folha nunca mais será como antes. E é exatamente isso que acontece quando deixamos um momento de raiva falar mais alto. Esses amassados na folha são as marcas que vocês deixaram naquela relação em que disseram tudo que queriam para a pessoa. Foram marcas negativas e que não podem ser desfeitas. Às vezes, o que vocês disseram para a pessoa nem era exatamente o que vocês queriam dizer, ou pelo menos não de uma maneira tão autoritária e rude. Talvez, por um minuto a mais, vocês nem dissessem nada daquilo. Procurem pensar melhor e tentem deixar marcas positivas, as quais vocês gostariam que as outras pessoas lembrassem depois. Já pensaram em quais marcas vocês têm deixado na vida das pessoas? Vão para casa pensando nisto: Quais marcas vocês têm deixado? Até a próxima aula. Bom estar com vocês.”

     Eu não sei os meus colegas, mas eu realmente fui para casa pensando sobre isso. Pensei nas oportunidades que tive de falar tudo o que eu queria para alguém, e acabei me expressando da maneira errada por conta da raiva e criando marcas que perduram na minha relação com aquela pessoa até hoje. Já pensei também nas oportunidades que tive de rebater uma ofensa, mas sabiamente preferi me calar e fiz a relação andar de maneira diferente, provocando uma mudança positiva naquele relacionamento. E fui mais fundo, pensei em qual marca tenho deixado no mundo. Refleti sobre qual visão acerca de mim mesma tenho provocado nas pessoas que me cercam, a partir da minha maneira de falar com elas, de me posicionar quando algo me desagrada e da minha maneira de responder a uma crítica. Tudo isso me levou a enxergar o quanto ainda preciso melhorar como pessoa e como indivíduo que diz buscar a melhoria de um mundo tão cruel e carente de amor.

     É incrível como a simples atitude de se colocar no lugar do outro e tentar pegar os ouvidos e o coração dele emprestados faz toda a diferença.  Eu já falei coisas para pessoas que eu não gostaria de ouvir nem do meu pior inimigo. E também já falei coisas belíssimas que eu mesma nunca tinha escutado das pessoas que me cercavam. Nisso, eu percebi que preciso oferecer e ser aquilo que eu gostaria de receber. Mas precisei perder amigos e precisei da reflexão da minha maravilhosa professora-doutora e psicóloga clínica para aprender isso. E eu espero, de coração, que você não precise de muito para perceber que as suas relações podem estar escorrendo pelos seus dedos e se desfazendo por causa das suas palavras mal colocadas e mal pensadas em um momento explosivo e totalmente passageiro.

     Estamos perdendo cada vez mais o humanismo, que é aquele momento em que saímos do nosso egoísmo diário e passamos a esticar mais o braço para o outro. O humanismo também seria aquele momento em que entendemos que existe algo em nós que nos diferencia dos demais cidadãos que habitam a Terra e que não há nada de errado em ser diferente e conviver com as diferenças. Precisamos lutar para atingir uma segurança que nos permita manter uma relação saudável com nós mesmos e com os que nos cercam. A nossa existência precisa ser celebrada, e que essa celebração se estenda a todos que partilham do mesmo espaço que nós, com o objetivo de atingir aqueles que não partilham e estão localizados em esferas geográficas mais distantes. Assim, criaremos um ciclo vicioso, porém não mais de ofensas e rebatimentos, mas de amor, o amor que o mundo tanto carece.

     Vejo muita gente tatuando “empatia” no corpo, e esquecendo de tatuar no coração. Como minha professora disse: “um dos maiores problemas do mundo é a desumanidade do humano”. Que a gente possa refletir sobre o efeito que nossas palavras estão causando no outro, se elas estão contribuindo para que o mundo fique cada vez mais cruel, ou se estão contribuindo para o tal “mundo melhor” que tanto sonhamos. Porque às vezes parece que esquecemos que nós somos os próprios causadores de toda e qualquer desgraça existente no mundo, a começar pelo que sai da nossa boca.


     Quais marcas vocês têm deixado?


 "O que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem." (Mateus 15:11)



- Brígida Gabriela



     Hoje eu vou falar sobre algo que todo mundo faz em relação a si mesmo: comparações. 

     Desde muito novos somos ensinados a fazer comparações. Ouvimos dos nossos pais: "seu irmão é mais estudioso que você", "seu irmão é mais educado", "seu irmão é magro", "seu irmão já está trabalhando", "não sei como eu acertei com ele e errei com você". Essa realidade incentivada em nossa própria casa nos formou seres humanos extremamente comparativos e o pior: sempre nos colocando lá embaixo em relação às outras pessoas. 

     Às vezes entramos na internet e vemos a foto de uma pessoa às três horas da tarde de uma terça-feira na Europa e pensamos: "caramba, a vida dela é maravilhosa, como eu queria ter uma vida assim", ou então vemos a imagem de alguém pedindo ajuda, passando dificuldade financeira ou de saúde, olhamos para nós e nos sentimos bem por não estarmos naquela situação. O estado do outro é sempre o que norteia a nossa visão acerca de nós mesmos. Ao ver alguém na pior, enxergarmos nossa vida bem, mas ao vermos alguém na melhor, enxergamos nossa vida mal.

     E no meio disso tudo, nasce o sentimento de inveja. E a inveja é uma das piores coisas que a gente pode sentir porque não há o que se fazer, pois nós nunca seremos aquela pessoa e nunca teremos a vida dela. E seguiremos sempre mal por causa disso. 

     Nós ficamos tão cegos que esquecemos que aquela pessoa que postou foto na Europa às três horas da tarde de uma terça-feira no Instagram pode não estar vivendo nada daquilo ali, que as pessoas fazem uma viagem de alguns dias e ficam o ano inteiro postando foto, que ela pode estar triste, se sentindo vazia, se sentindo fútil... Ou que até mesmo ela pode estar olhando o seu Instagram e desejando ter a sua vida, o seu trabalho, a sua faculdade...   

     Corriqueiramente vemos alguém que entrou na faculdade mais cedo que nós e nos entristecemos por termos entrado um pouco mais tarde porque precisávamos trabalhar. Já parou para pensar que essa pessoa pode estar desejando o seu emprego? 

     Ou então, lembra daquela pessoa que casou aos 18 anos e fez você se sentir mal por ter 25 e nem estar namorando ainda? Sabia que talvez ela se sinta mal até hoje por ter largado os estudos e pensa que deveria ter esperado um pouco mais? E se eu disser que ela também viu a foto da sua formatura na faculdade e desejou ter aquele diploma em mãos, você acredita? 

     Já vi gente invejar até mesmo o grupo de amigos de outra pessoa. Mas mal sabe que ela construiu aqueles amigos, que ela batalhou por eles, que teve que melhorar muita coisa nela mesma para hoje estar rodeada de amigos. Que teve que vencer timidez, arrogância, avareza, egoísmo... O processo de luta ninguém inveja, mas a vitória, ah... Essa todo mundo quer!  

     E será que a gente queria mesmo ter a vida daquele fulaninho? Será que ele é 100% feliz? Será que ele também não tem problemas na família? Será que ele também não vive se comparando com o irmão? Será que ele não se sente sozinho, vazio, triste, fútil...? Será que aquele feed maravilhoso no Instagram dele não é uma tentativa de ele enganar a si mesmo, de receber alguns elogios, de ver que tem gente desejando a vida dele e por causa disso tentar valorizá-la mais? 

     Pois é. Todo mundo está insatisfeito assim como você. E o fato de sempre achar a grama do vizinho mais verde revela insegurança em nós. Precisamos parar de fazer nossa vida girar ao redor da vida do outro, e fazê-la girar ao redor de si mesma. Tenhamos a nós mesmos como nosso principal padrão de comparação. 


     Tentemos superar a nós mesmos a cada dia, e não o nosso colega. E não a musa fitness do Instagram. E não a modelo milionária que vive na Europa. E não o fisiculturista famoso da TV. 

     Não ache que essas pessoas tiveram sorte. Todas elas batalharam pela realidade que desfrutam hoje. Sorte é o que acontece quando estamos em movimento gastando toda essa energia que temos para invejar o outro, em nós, investindo em nós mesmos e lutando pelo que há de ser nosso. Quando a gente investe em nós mesmos, nós crescemos e amadurecemos. E  quando amadurecemos, nos tornamos pessoas mais seguras e felizes com quem somos e com o que temos. Passamos a nos conhecer e nos amar mais e paramos de nos comparar, de nos rebaixar... Também paramos de querer provocar inveja no outro e passamos a querer provocar inspiração. Porque evoluímos, deixamos de ser aqueles indivíduos  insatisfeitos de antes, e atingimos o que meio mundo está loucamente buscando: a tal da satisfação. 

     A vida de ninguém é melhor do que a de ninguém. Precisamos parar de colocar uma escala de "quem está bem" e de "quem está mal" porque a visão que temos da vida do outro sempre será a mais superficial possível. Não estamos com o outro o tempo todo e não sabemos profundamente como ele vive. Às vezes ele pode ser a pessoa mais triste e frustrada do mundo e nós aqui de fora estamos desejando ter aquela vida para nós, pois estamos vendo só a capa exterior que cobre aquilo tudo. 

     A gente não vê os bastidores da vida de alguém, a gente só vê minutos dela, e minutos que ainda por cima que foram editados. As pessoas só vão compartilhar as coisas boas, fazendo parecer que a vida delas é uma bonança infinita, quando na verdade não é. Não acredite nessa rede de ilusões que a internet cria. Só porque alguém tem mais do que você, não significa que a vida dela seja melhor e a sua pior. Ninguém é melhor ou pior do que ninguém. Todo mundo está vivendo uma guerra que ninguém sabe. 

     Valorize mais quem você é e o que você tem. Pare de seguir no Instagram aquelas pessoas que fazem você se sentir mal e olhar para a sua condição com maus olhos. Afaste-se de tudo que provoca sentimentos ruins em você, inicie uma terapia se for preciso, abra-se com amigos verdadeiros, seja sincero consigo mesmo, reconheça o que precisa ser mudado e mexa-se para ser e ter tudo aquilo que você almeja! Porque se você não correr atrás disso, ninguém irá correr por você. Além da vida ser uma só, ela ainda é muito curta. Curta demais para você perder esse breve tempo apoiando-se em uma realidade paralela à sua. 

     E para fechar essa longa e reflexiva conversa: se você leu este texto significa que você tem um smartphone, um tablet, um notebook ou um computador de mesa. Significa também que você tem acesso à uma rede de internet. Sabia que esses dois fatos já te colocam na frente de MUITA gente aqui no Brasil? Mais precisamente,  de 25,7% da população brasileira, que vive marginalizada sem acesso a praticamente nada que é direito de todo cidadão. E estar à frente de 25% de mais de 207 milhões de pessoas é algo considerável, não é mesmo? Pois é... AGRADEÇA POR ISSO! 


- Brígida Gabriela


(trilha sonora sugerida: Evanescence - October)

Eu trilhei diversos caminhos. Trilhas pesadas, caminhos de pedra, rotas íngremes. Segui por lugares que nem mesmo eram caminhos, embora eu achasse que fossem, ou apenas mentia para mim no desespero de me achar em algum lugar.
Quando me encontrei à beira do penhasco, já não estava nem um pouco afim de caminhar mais. Era mais fácil ficar sentado esperando socorro, mas nem deu tempo: quando pensei em desistir, eu caí. Foi a sensação mais estranha que já tive.
Não, não foi estranho cair. A sensação da queda livre é até que prazerosa. Estranho foi cair em seus braços. Por que você me segurou? Justo eu?

Eu só queria chorar. Cansado, me entreguei à você. Eu não tinha muito a fazer. Me desculpe chegar nesse estado, mas eu juro que só estava buscando um caminho. Graças a Deus você era forte o suficiente pra me segurar.
Depois de tanto cuidar de mim, quem diria, aqui estou eu, ainda caindo.
E eu tenho gostado disso.

Tenho tropeçado nos seus suspiros quando olha pra mim. Aprisionado por seu olhar apaixonado, esqueço de olhar pra frente, tropeço e caio. Caio no seu amor, caio no seu afago. É difícil não me prender no seu olhar: como eu amo ele!
Seu sorriso bobo me põe no chão e me mantém ali. Não tenho forças pra lutar contra e resistir ao encanto da sua mais sincera e explícita expressão de paixão. É difícil dizer se é seu sorriso largo ou seu olhar profundo que golpeia mais fortemente meu coração e rende minh'alma. Amo os dois, amo você.
Descuidado caí na sua graça, que me acolheu indiscriminadamente. Mesmo ferido, fraco e pobre, você me acolheu enquanto eu caia. E não haveriam cuidados melhores do que os seus.

Quando desisti, você se determinou.
Quando me entreguei, você me aceitou.
Quando tropecei, você me segurou.

Amor, eu cai. Caí de encantos por você, caí nos seus braços de amor.


Stephen S. M.

Eu não sei se nessas coisas existe uma ordem, mas se existe, com certeza você fez elas seguirem fora do normal. Você bagunçou tudo, e obrigado por isso.
Eu esperava que o de sempre fosse acontecer: conhecer uma garota, desenvolver uma boa amizade, começaria a me apaixonar por ela, me ver loucamente apaixonado, ver que isso permanece com o tempo e então entender que o amor está surgindo e deixando tudo permanente.
Mas com certeza você não foi só mais uma. Você mudou tudo, fez tudo diferente.

Me ensinou, na amizade e através dela, que o amor que eu era capaz de sentir podia acontecer de forma limpa, sem nenhum outro sentimento amarrado nele ou precedendo. Amar apenas por amar. A amizade foi uma boa amizade, cada vez mais cheia de amor. Você me permitiu te amar muito, e só agora meu coração começa a inflamar por você. Começo a me ver apaixonado no bom sentido. As coisas começam a exceder o “apenas amor”.

A vontade de falar com você a todo momento, de ficar buscando e vendo suas fotos, de querer uma videochamada toda noite, de pensar só em você e ter até que tomar cuidado pra não te tornar meu único assunto. É querer escrever mil textos direcionados a você já que tens sido a única coisa aqui dentro, mas ao mesmo tempo não conseguir escrever por ser grande demais para ser expressado. Eu me sinto apaixonado porque conheço esse sentimento e sei que isso só vai crescer até o ponto de coexistir com o amor. A parte volátil da paixão já evaporou, deixando de forma concentrada o melhor dela, ardendo em mim e reagindo em você, assim espero.

Você me amou, me cativou. E por permanecer assim, me envolveu fazendo com que eu me apaixonasse pelo meu reflexo. Eu te amo sim, muito, mas queria dizer que estou apaixonado por você. Apaixonado, não como algo passional, mas algo intenso que queima usando o amor como combustível.
Você me laçou, garota.


Stephen S. M.

Oi. Espero que você esteja bem, meu amor.
Sei que você anda muito ocupada, e a saudade de você me pegou de surpresa enquanto trabalhava. Lembra que conversamos esses dias sobre nossa futura casa? Então: me peguei desenhando ela. Sim, comecei a projetar a nossa casinha.

Comecei pelo segundo quarto, pra quando sua mãe viesse nos ver, ou que eu poderia usar como laboratório ou estúdio. Espaçoso, amplo e aconchegante. Deixei uma janela no canto, pra que não entrasse ar frio em cima da cama caso coloquemos uma alí.


Depois fui para o escritório. Fiquei pensando se haveria espaço suficiente para nós dois alí, afinal, eu amaria deixar minha bancada perto da sua, pra de vez em quando ir te dar um abraço por trás pra desestressar. Coloquei apenas uma janela, mas eu deixaria você ficar ao lado dela sem problemas. Até prefiro assim.


Quando achei que ele estava grande o suficiente para nós dois, subi para o quarto de nossa suíte. Não sei dizer o tanto de emoções que me atacaram nesta parte. Pensei em fazer um quarto espaçoso para caber nosso abajur de luz azul e nossa cama king size, pra você poder se esticar toda na cama, como disse, e ainda sobrar um espacinho para mim. 


Aproveitando o embalo, parti para o banheiro da suíte assim que o quarto me satisfez. Obviamente, cuidei para deixar espaço para a nossa banheira. Não tinha te falado sobre isso ainda, mas pensei numa banheira pra gente relaxar depois de um dia de serviço cansativo. Cuidei pra que a banheira fosse suficientemente grande, mas não grande a ponto de ser perigosa pra você (afinal, você é pequenininha, amor). Arandelas espalhadas pelo banheiro iluminariam de forma sutil o ambiente, deixando um clima mais relaxante.
O outro banheiro da casa e o lavabo foram detalhes.


As salas de jantar e de estar, combinadas, foram cenário para minha imaginação nos colocar fazendo um jantar para amigos ou sentados no sofá, na nossa intimidade, dividindo um brigadeiro de panela e vendo algum filme enquanto te faço um cafuné. Ela ficou bem grande, mas achei melhor assim, pra que pudéssemos reunir nossos amigos sem problema.

A área de serviço foi cena pra alguns clichês, como eu te molhando enquanto lavamos alguma coisa juntos. Ficou espaçosa pra que pudéssemos trabalhar ao mesmo tempo.

Do lado dela, a dispensa. Ainda não sei se usaríamos ela ou se poderíamos tirar ela e anexar o espaço ao próximo e último cômodo da lista.

Por fim, o primeiro cômodo que me lembro de ter conversado com você: a cozinha. É óbvio que nosso espírito faminto pensaria nisso primeiro, por isso deixei por último: para dedicar bastante atenção. Pensei em tudo embutido; forno de indução e forno elétrico. Nada com gás para que nossa casa seja segura. Pensei em todos aqueles eletrodomésticos sensacionais que sonhamos em comprar. Deixei espaço pra gente circular livremente, bastante armários pra organizar tudo. Pensei em um balcão americano e obviamente, no que você me disse um dia e que me aqueceu o coração: uma bancada ou uma ilha, tipo casa de filme americano, onde tomaríamos nosso café juntos, enquanto fito em seus olhos agradecendo a Deus pela mulher maravilhosa que ele me deu.


E essa foi a casa que imaginei e desenhei: um lugar amplo mas minimalista para nossas intimidades, um teto para meu lar e nossos sorrisos.

Tive que voltar pra vida real: não temos nossa casa ainda, porém ainda tenho um lar, não para o meu corpo, mas para meu coração. E pra um coração que viveu tanto tempo sem teto, neste lar se sente numa mansão.
Tô doido pra te ligar e dizer "tô te esperando em casa, amor".



Stephen S. M.


Pra mim, seríamos amigos. Apenas amigos. Como já dizia a música: "amigos para sempre é o que nós iremos ser". Não tinha como isso mudar. Nos dávamos bem, assuntos de sobra, tantas semelhanças. Não achava que mudaria. Por que mudaria?
Mas mudou.

Hoje estou aqui, lembrando de você em diversas coisas. Pego um desses panfletos de sinaleiro sobre apartamento a venda e fico pensando se você ia gostar dele, se o tamanho te agradaria, se caberia nossas coisas (ainda que sejamos minimalistas). Imaginei nós dois na cozinha tentando decidir o que fazer para comer e por fim decidir comer fora ou fazendo uma enorme bagunça por brincarmos enquanto tentamos cozinhar algo. 

Me peguei pensando em nós dois sentados no sofá, imersos em uma longa e calma troca de carinho enquanto um filme qualquer passa na TV ignorado por nossas mentes ocupadas com algo muito melhor.

Passo de carro em frente ao lugar onde gostaríamos de trabalhar e fico pensando como seria trabalhar no mesmo lugar que você, vestir o mesmo uniforme ainda que tivéssemos rotinas diferentes pois trabalhamos em áreas diferentes.


Vou aos parques e fico imaginando qual seria sua reação, sua opinião sobre os lugares que acha tão lindo mas que ainda não conheceu. Como será caminhar uma tarde com você ao lado por estes estreitos caminhos entre as árvores? Qual seria a sensação de pegar uma trilha com você pra gente subir um morro e ver a cidade lá de cima?
 

Na noite, fico pensando em como seria ter você ao meu lado, poder sentir o cheiro de lavanda do perfume que passa enquanto aguardo o sono chegar. Fico aqui deitado, olhando pro teto, imerso na vontade de mexer no seu cabelo enquanto engulo a saudade de te ver antes de dormir.

Fico lembrando em como eu, como você diz, "pisava em ovos" nas nossas conversas, e hoje falamos sobre tudo com uma intimidade de uma vida toda. Confesso que ainda acho estranho e por vezes fico perplexo em como chegamos aqui. Conversamos sobre tudo: planos, casamento, uma pousada pra fugir e se divertir, família, domingo juntos. É engraçado como em meia hora de conversa mudávamos, sincronizados, mil vezes de assunto sem nunca nos perder.

Pra mim, seríamos amigos. Felizmente ainda somos, e fomos felizes em escolher não nos limitar a apenas isto. Fomos corajosos, fomos cúmplices. O que somos hoje? O anel no seu dedo responde.





Stephen S. M.

Família é almoço de domingo.
Mas também é socorro nos dias difíceis.
É um combo de manias, trejeitos e implicâncias.
Mas também é um combo de beijos e abraços.
É piada de tio sem graça.
Mas também é respeito.
É para onde você corre quando tem comida fresca.
É onde você encontra cheirinho de café novo.
É o lugar de paz em meio às dificuldades.

É discussão sobre religião, política e futebol.
É metade da família atleticana e a outra metade coxa branca.
É metade da família de direita e a outra metade de esquerda.
Mas é a família inteira reunida por meio do amor e da paciência.

Toda família tem aquele possível jovem com planos de viagens e com sonho de independência. Toda família tem aquela vó que faz a melhor comida. Toda família tem aquele tio que parece irmão. Toda família tem suas diferenças, peculiaridades e inversões de opiniões. Mas, toda família não deixa de ser família. Afinal, família é o lugar em que você se sente em casa e deve ser reconhecido como você de fato é. Família é lar, mesmo a quilômetros de distância.

E quem fala que as famílias são todas iguais e só mudam de endereço, com certeza não conheceu a minha. Assim como com certeza, eu não conheci a sua. Apesar de parecidas, todas são únicas. Só a gente sente. Só a gente sabe.

Família é dádiva da idade, daqui até a eternidade.

- Amanda Trevisani


Pessoas vêm e vão
Como se a vida fosse um terminal de passageiros
Onde todos parecem apenas se importar em seguir seus trajetos
E esboçar um sorriso cansado por pegar um lugar sentado.
Afinal, quem de nós não se cansa nessa jornada da vida?

Pessoas vêm e vão
Mas você, você eu quero que apenas venha.
Meu bem, venha pra ficar; é difícil dizer tchau, até mesmo na minha imaginação.
Eu sei que mais cedo ou mais tarde terei que dizer um "tchau" precedendo uma longa espera até nos revermos.
Então deita aqui do meu lado mais um pouco, fica comigo
Adie sua passagem, vamos em mais um café
Deixa eu te levar pra gente sentar na grama num final de tarde e admirar mais um pôr do Sol
Fica pra eu matar a imortal saudade deste seu sorriso quando olha pra mim.
Fique, porque pra sempre não é tempo suficiente; ao lado não é perto o bastante.

Porquê pessoas vêm e vão eu não esperava companhia
Você quer ficar, eu quero que você fique
E embora tenha que partir, vou te pedir pra não levantar da cama nem fazer suas malas.
Fica mais um pouco, fica mais uma noite.
Fica comigo mais um pouco, só mais o resto das nossas vidas.



Stephen S. M.
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Feito por pessoas comuns

Assim como você, sofremos com os dramas que a vida nos trás. Sejam eles dentro de relacionamentos, dentro de trabalho, dentro de faculdade... A vida é no entanto, meio dramática mesmo.
Escrever é observar os pequenos detalhes que podem tornar este drama, um clássico com premiação de tapete vermelho.

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