Marcas... Quais você tem deixado?
Este texto é inspirado em uma dinâmica que foi realizada em
aula pela minha professora de Psicologia na minha turma da faculdade. Sem
sombra de dúvida, as aulas de Psicologia serão as aulas mais memoráveis que
levarei de toda a minha graduação, e a professora será a mais memorável também.
Ao longo do texto, espero que vocês entendam o porquê.
Já estávamos no
final da aula e também do dia, era por volta de 21h quando a professora pediu
que pegássemos uma folha de papel em branco. Ela falou para imaginarmos uma
pessoa para a qual quiséssemos dizer muitas verdades, aquelas famosas “poucas e
boas” e que estivéssemos tendo a oportunidade naquele momento de dizer tudo
aquilo que queríamos para aquela pessoa. E então pensamos um pouco e logo pudemos
imaginar aquele papel preenchido com tudo que queríamos falar. Foi aí que a
professora pediu para amassarmos o papel o máximo que conseguíssemos, e o
fizemos. Depois, ela pediu para pegarmos aquela bolinha de papel e desamassar a
fim de que ela ficasse o mais esticada possível. Todos fizeram novamente. Após isso,
ela perguntou se a folha de alguém tinha ficado como estava antes de amassar e todos
fizeram sinal negativo. E foi aí que ela nos ofereceu o mais belo conselho em
forma de reflexão, dizendo:
“Pois é! Não dá para desfazer esses amassados, essa folha
nunca mais será como antes. E é exatamente isso que acontece quando deixamos um
momento de raiva falar mais alto. Esses amassados na folha são as marcas que
vocês deixaram naquela relação em que disseram tudo que queriam para a pessoa.
Foram marcas negativas e que não podem ser desfeitas. Às vezes, o que vocês
disseram para a pessoa nem era exatamente o que vocês queriam dizer, ou pelo
menos não de uma maneira tão autoritária e rude. Talvez, por um minuto a mais,
vocês nem dissessem nada daquilo. Procurem pensar melhor e tentem deixar marcas
positivas, as quais vocês gostariam que as outras pessoas lembrassem depois. Já
pensaram em quais marcas vocês têm deixado na vida das pessoas? Vão para casa
pensando nisto: Quais marcas vocês têm deixado? Até a próxima aula. Bom estar
com vocês.”
Eu não sei os
meus colegas, mas eu realmente fui para casa pensando sobre isso. Pensei nas oportunidades que tive de falar tudo o que eu queria para alguém, e
acabei me expressando da maneira errada por conta da raiva e criando marcas que
perduram na minha relação com aquela pessoa até hoje. Já pensei também nas
oportunidades que tive de rebater uma ofensa, mas sabiamente preferi me calar
e fiz a relação andar de maneira diferente, provocando uma mudança positiva
naquele relacionamento. E fui mais fundo, pensei em qual marca tenho
deixado no mundo. Refleti sobre qual visão acerca de mim mesma tenho provocado
nas pessoas que me cercam, a partir da minha maneira de falar com elas, de me
posicionar quando algo me desagrada e da minha maneira de responder a uma
crítica. Tudo isso me levou a enxergar o quanto ainda preciso melhorar como
pessoa e como indivíduo que diz buscar a melhoria de um mundo tão cruel e
carente de amor.
É incrível como a
simples atitude de se colocar no lugar do outro e tentar pegar os ouvidos e o
coração dele emprestados faz toda a diferença.
Eu já falei coisas para pessoas que eu não gostaria de ouvir nem do meu
pior inimigo. E também já falei coisas belíssimas que eu mesma nunca tinha escutado
das pessoas que me cercavam. Nisso, eu percebi que preciso oferecer e ser aquilo que eu gostaria de receber. Mas precisei perder amigos e precisei da
reflexão da minha maravilhosa professora-doutora e psicóloga clínica para
aprender isso. E eu espero, de coração, que você não precise de muito para perceber
que as suas relações podem estar escorrendo pelos seus dedos e se desfazendo
por causa das suas palavras mal colocadas e mal pensadas em um momento
explosivo e totalmente passageiro.
Estamos perdendo
cada vez mais o humanismo, que é aquele momento em que saímos do nosso egoísmo
diário e passamos a esticar mais o braço para o outro. O humanismo também seria
aquele momento em que entendemos que existe algo em nós que nos diferencia dos
demais cidadãos que habitam a Terra e que não há nada de errado em ser
diferente e conviver com as diferenças. Precisamos lutar para atingir uma
segurança que nos permita manter uma relação saudável com nós mesmos e com os
que nos cercam. A nossa existência precisa ser celebrada, e que essa celebração
se estenda a todos que partilham do mesmo espaço que nós, com o objetivo de atingir aqueles que não
partilham e estão localizados em esferas geográficas mais distantes. Assim,
criaremos um ciclo vicioso, porém não mais de ofensas e rebatimentos, mas de
amor, o amor que o mundo tanto carece.
Vejo muita gente
tatuando “empatia” no corpo, e esquecendo de tatuar no coração. Como minha
professora disse: “um dos maiores problemas do mundo é a desumanidade do
humano”. Que a gente possa refletir sobre o efeito que nossas palavras estão
causando no outro, se elas estão contribuindo para que o mundo fique cada vez
mais cruel, ou se estão contribuindo para o tal “mundo melhor” que tanto sonhamos.
Porque às vezes parece que esquecemos que nós somos os próprios causadores de
toda e qualquer desgraça existente no mundo, a começar pelo que sai da nossa
boca.
Quais marcas vocês
têm deixado?
"O que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem." (Mateus 15:11)
- Brígida Gabriela
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