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Nosso encontro foi imperfeitamente perfeito. Meus olhos te captaram sem nenhuma dificuldade e sou incapaz de afirmar se houve amor à primeira vista, porque -ainda- não provei do teu amar.

- Desejo à primeira vista pode ser melhor definido, neste caso. -


Tuas palavras contornavam meus ouvidos e entre arrepios, aqui e ali, eu te queria mais e mais. De acordo com os fatos, nossas bocas se encaixaram como se tivessem sido feitas uma para a outra. Teu eu tinha sido feito sob medida para o meu. Não precisei nem sequer ler o manual de instruções, até porque prefiro não seguir regras. Quebrei elas com você.

Também quebrei os minutos do relógio. Nosso tempo tinha acabado.

- Ou talvez tivesse acabado de começar. -

Eu fui embora sem deixar um bilhete, mas quando fui, não queria ter ido. Eu fui, com a intenção de voltar. Eu fui, querendo ficar. Eu fui, mas te prometo, ainda volto para tirar todo o teu ar.

- Desejo à última vista pode ser melhor definido, neste caso. -

- Amanda Trevisani

Não deu tempo de ficarmos juntos. E contra o tempo, não se pode lutar. Ele corre e a gente corre também.

Não deu tempo de vivermos o futuro juntos. Mal deu tempo de vivermos o presente. Não deu tempo de você ver a mulher que me tornei.

Não deu tempo de lutarmos a favor do tempo e não deu tempo de o tempo estar a nosso favor. Mas deu tempo de chover. Te digo, choveu bastante aqui dentro pra combinar com o tempo dessa cidade lá fora.

Talvez tenhamos dado pouco tempo ao tempo, e por isso ele passou correndo e nem notamos.

Não deu tempo de construirmos um novo tempo. Mas deu tempo de dizer adeus.

Talvez a gente só tenha parado de gastar tempo com algo que já não dava mais certo fazia muito tempo.

Talvez a gente só tenha tentado lutar demais contra o tempo. E contra o tempo, não se pode lutar. Ele corre e a gente corre também.

- Amanda Trevisani



Seguir
Verbo pequeno 
Porém tão complicado 
Se hoje sigo algo ou alguém 
Aos que me assistem 
Posso até causar um estrago 

Pois não é apenas seguir 
É que daquilo que o seguido prega 
Eu jamais devo fugir 
Se desvio aqui ou ali 
É falso todo passo 
Do meu seguir 

Todo extremismo é vedado 
Mas quando falo de Ti
De meus conceitos me desarmo 
Só lembro do que causa afago 
E da paz em apenas seguir

Seguir-Te não pelo título 
De seguidor que recebi 
É por precisar diariamente 
E de maneira incessante
Do alimento  
Que só encontrei em Ti

Sigo não por seguir
Sigo por precisar 
E precisar cada dia mais do Teu fluir
Pois assim como as plantas 
Seguem o sol
Eu sigo a Ti 

- Brígida G. V. Carvalho 
Foto: @brigidagabrielavieira



       Ler sobre recomeço é sempre muito inspirador, reaviva a esperança e a paz. E de fato, precisamos nos manter esperançosos para o futuro, ainda que o presente que vivenciamos não seja tão agradável aos olhos. Somos movidos e renovados pela esperança e quando a perdemos, estamos correndo um sério risco de nos perdermos de nós mesmos também. Já pensou nisso?

       Sempre defendi que a esperança não deve ser a última que morre, mas a única que nunca deve morrer. Até porque com a esperança morta, mortos nós também estaremos. E embora sejamos seres completamente lúdicos que vivem pelo que veem, não devemos basear o sucesso do futuro pelo fracasso do presente, pois nada na vida é eterno, nem tristeza e nem alegria. Nenhuma condição é imutável e todo desastre é plenamente capaz de se transformar em milagre. 

       Sim, toda situação tem potencial para gerar um milagre. E milagres acontecem todos os dias. Você ter acordado respirando hoje foi um deles. Aproveite esse breve instante que Deus e a vida estão te concedendo e vá à luta para mudar tudo aquilo que te desagrada. Lute sempre convicto(a) de que nenhum trabalho árduo é em vão e que os melhores resultados são os que mais demoram a aparecer. 

       Não espere condições favoráveis, pois condições favoráveis na verdade nem existem e nunca existirão se você for esperar por elas. Mas se você decidir arregaçar as mangas, você mesmo pode criar a situação perfeita para realizar o projeto que quiser. Em meio ao caos das águas sempre são formados os melhores marinheiros, por que em meio ao caos da vida não poderiam ser formados os melhores sobreviventes? Você pode ser um deles e isso só depende de você. 

       Não se iluda com as circunstâncias ruins. Posso te contar um segredo de amiga? As circunstâncias são mentirosas e nos cegam todos os dias. Só estão aí para nos fazer desistir daquilo que já é nosso. Não caia na asneira de acreditar que elas ditarão o seu futuro. O melhor a se fazer é ignorá-las desde agora, no presente. 

       Recomeçar é preciso. Independente do momento. Não estamos na virada do ano ainda e nem precisamos esperá-la chegar para a inspiração e esperança baterem. A vida é um sopro. Com um sopro vem e com outro vai. Abrace esse momento atual, pois ele é perfeito para a mudança que você sempre quis ver ou ser. 

       Vamos recomeçar? Depende única e exclusivamente de você, mas espero, de coração, que esse empurrãozinho tenha ajudado.❤️

“Por isso, nunca desistimos. Ainda que nosso exterior esteja morrendo, nosso interior está sendo renovado a cada dia. Pois estas aflições pequenas e momentâneas que agora enfrentamos produzem para nós uma glória que pesa mais que todas as angústias e durará para sempre. Portanto, não olhamos para aquilo que agora podemos ver; em vez disso, fixamos o olhar naquilo que não se pode ver. Pois as coisas que agora vemos logo passarão, mas as que não podemos ver durarão para sempre.”    (2 Coríntios 4:16-18)

Texto: Brígida Gabriela Vieira de Carvalho
Foto: @brigidagabrielavieira

 



Nós somos acostumados a odiar a rotina. Quem sabe até faça sentido lá no fundo, afinal, qual o sentido de empenhar todos os dias da sua vida em uma interminável e repetitiva atividade?
Desde que você chegou, tornou-se minha rotina. Quase tudo mudou por sua causa: tive que me adaptar, redefinir prioridades, deixar algumas coisas de lado para ganhar muitas outras. Não, nada disso era ruim: na verdade, era excelente. Você se tornou minha maravilhosa rotina, e eu amava ela.
Mas eu havia ignorado o fato de que esta rotina seria quebrada e, diferente das outras rotinas, quebrá-la foi penoso. Eu achava saber o que era dor, mas no momento que você partiu, percebi que eu nunca havia conhecido dor de verdade e, desde que você foi embora, nada mais é como antes, nada volta ao lugar de sempre.
Não tenho mais você me aguardando após a aula com um copo de chocolate quente, um beijo e um sorriso pra nos aquecer e um pão de queijo para que não fôssemos pra casa com fome;
As salas ficam vazias e frias sem você sentada ali na mesa do professor, estudando com suas várias canetinhas coloridas e folhas espalhadas pela mesa. Nesta cena você era meu refúgio nas vezes que eu saia cansado no meio da aula para lhe dar um abraço longo a fim de me recuperar e encarar o resto das aulas. E eu não tenho mais este refúgio;
Não tenho mais com quem compartilhar pessoalmente como foi meu dia em troca de um olhar interessado e apaixonado sendo interrompido por delicados beijos entre frases sucedidos do seu maravilhoso sorriso;
Fiquei sem "meu cantinho" no seu ombro pra descansar e sem aquele abraço deitados na cama que me abrigava quando a vida parecia uma onda tentando me naufragar;
Dirigir pela cidade não me traz mais prazer sem poder repousar minha mão na sua perna e sentir sua mão passeando pela minha nuca ou me fazendo cafuné e me mantendo calmo enquanto dirijo. Desaprendi a dirigir sem teu doce perfume tomando conta do carro;
Semáforos vermelhos se tornaram penosamente longos, um desperdício de tempo sem os beijos que você me dava a cada vez que parávamos em um;
Os parques não mais possuem seu verde tão extasiante nem os pores do Sol aquarelando o céu com tons de rosa e laranja possuem arrebatadora beleza outrora vista. Eles apenas me trazem saudade;
Não tenho mais comigo quem me fez redefinir limites, planos e desejos nem quem dê risada das inúmeras piadas ruins que eu soltava diariamente;
Não tenho mais razão para acordar cedo no domingo e passar por aquelas mesmas ruas com o prazer de antes;
Não tenho mais de quem segurar a mão durante os cultos de domingo nem tenho mais como ouvir aquela doce voz cantando pertinho de mim;
Mas de toda essa quebra de rotina, a parte mais amarga talvez sejam meus almoços de domingo, pois agora, além da saudade, tudo o que resta diante de mim é uma cadeira vazia.


Stephen S. M.

Você era tudo o que eu mais queria, mas eu não era o seu maior desejo. Você era a minha esperança de que o amor enfim fizesse sentido, mas você não estava apaixonado por mim.

Talvez o meu erro tenha sido arriscar demais em situações que deveria ter arriscado de menos e arriscado de menos em situações que deveria ter arriscado demais.

Não posso voltar ao passado e o presente hoje, mudou. Meu subconsciente ainda imagina o que seria de nós se não fosse o medo de arriscar.

O que era óbvio para mim, talvez não fosse óbvio para você. O que era óbvio para você, talvez não fosse óbvio para mim. O óbvio precisa ser dito e o que se sente também.


Hoje, eu afirmo: o amanhã pode ser tarde demais.

- Amanda Trevisani



Eu sinto saudades do futuro
Sim, meu passado se tornou irrelevante
Já não mais ocupa lugar aqui

Pois o espaço que restava fora ocupado

Eu sinto saudades do futuro

De deitar na cama com você
E sentir um gostinho
Do que teremos pela frente

Eu sinto saudades do futuro
Saudades de experimentar
O que nunca provei
Mas é o que quero, e isso eu bem sei

Eu sinto saudades do futuro
De ser pego admirando
A maravilhosa imagem
Daquela que dividirá uma cama comigo

Eu sinto saudades do futuro

Saudades da sensação de que não dividirei uma cama
Nem uma casa apenas
Mas toda uma vida e quem somos

Eu sinto saudades do futuro

Saudades dos dias porvir
Onde não tinha mais alarme nem despertador
Que me separe do teu calor

Eu sinto saudade do futuro
Não gosto de viver às memórias

Das sensações e momentos que me lembram
O quão bom tua presença é

Eu sinto saudades do futuro

De experimentar semanalmente
O que planejamos e uma pequena parte
De tudo que viveremos

Eu sinto saudades do futuro

Como eu amo provar
Uma pequena fração
De tudo que Deus há de me dar

Eu sinto saudades do futuro

Saudades de viver minha vida
Que não será minha mais nossa
Pois meu futuro, meu bem, é com você.

E é por isso que eu sinto saudades do futuro
Pois sinto saudades do você

Saudade que sinto
Mesmo cinco minutos depois de te ver.


Stephen S. M.

Eu costumava ser o seu tudo,
hoje sou o seu nada.

Eu te amava!
Hoje caminhando sob a lua estrelada,
vi que brilhava muito mais.

Nem mais
nem menos.
Caminhei passos pequenos
para então me encontrar.

Não preciso mais ser seu lar.
Hoje sei me habitar,
sei onde trilhar,
sei onde brilhar.

Vejo um novo céu e
procurei o teu olhar.

No entanto, lembrei que
olhos passados
estão mergulhados
no mais profundo mar.

Do esquecimento.
Gritei por relento,
você não estava lá.
Lamento, hoje eu é que estou
do lado de cá.

Espero que vá e
não volte.
Frente a frente,
solte nossas correntes e
saia da minha mente.

Me liberto,
sou alguém certo de que deixou a coisa errada finalmente
ir embora.

Por hora, apaguei
à mercê.
Agora, me encontrei
sem você.

Se olhar para o alto
e um brilho enxergar,
sou eu
sou véu
sou céu.

Só não sou seu.

- Amanda Trevisani



(sugestão de trilha sonora: Sabaton - The Hammer has fallen)

É, a gente sabe que isso vai acontecer mas nunca espera.
Eu morri. Já era, acabou. o Chefe bateu o martelo.
Saí do meu corpo e resolvi seguir ele, queria saber como seria o funeral, o que as pessoas diriam.
Fui ver os falsos, os que falavam uns para os outros "ele era meu amigo" mas na verdade queriam apenas se aproveitar, e quando eu precisei, viraram as costas.
O que doeu mesmo foi ver as pessoas que me amavam lá. Nada em toda a minha vida doeu mais do que ver aquelas lágrimas que eu sabia que eram sinceras.
Mas de tudo, o que mais me chamou a atenção foi uma pergunta e sua resposta: Quantos anos ele viveu? - alguém perguntou.
Ah, viveu bem. Viveu 80 anos - respondeu um chegado meu.
Mas de repente me questionei: eu realmente vivi 80 anos?

Que contagem mais sem sentido e vazia esta que fazemos enquanto estamos vivos! Quem disse que eu vivi 80 anos? Minha certidão de nascimento ou de óbito? E o tempo que desperdicei no meu celular, as noites que troquei minha esposa pelo meu trabalho? Aquilo era vida? Que lixo de vida, pois!
Eu vivi mesmo foi nos momentos em que eu me joguei na tirolesa, que tomei banho de cachoeira. Vida mesmo era estar do lado da mulher que eu amava, sentia o cheiro dela e a beijava. Eu fingia estar feliz correndo atrás de tudo e todos pra montar meu pequeno reino, trazer o máximo de conforto e segurança pra minha família, mas estava cego, sem perceber que neste caminho eu estava desperdiçando algo que agora não tenho mais: tempo.
Como dói estar aqui agora, fora do meu corpo, olhando aquele pedaço de carne sem vida no caixão, prestes a ser jogado em um buraco na terra, que eu poderia ter usado para aproveitar melhor o tempo com minha esposa, poderia ter saído mais com ela, viajado mais, passado mais tempo deitado na cama sentindo aquele perfume do frasco lilás. Como pude ser trouxa de não dar os tantos dez minutos a mais que ela me pedia? Eu podia muito bem ter ficado mais um pouco e sentido aquela pele tão lisa e macia por mais vezes, podia ter dado mais daqueles abraços apertados que tiravam o ar dela.
Eu deixei minha vida e o prazer do amor de verdade ir embora como a areia da praia fluía entre meus dedos a troco de coisas que ficaram lá do outro lado.

Quantos anos eu vivi? Difícil dizer. Aqui deste lado, sem chance de mudar o que fiz e deixei de fazer não sei mais o que foi vida ou apenas existência.
Estive vivo por oitenta anos, mas pareço não ter vivido nem a metade disto.

Stephen S. M.

Os anos passaram,
os caminhos mudaram,
alguns foram embora
e outros ficaram.


Os cabelos caíram,
ficaram mais brancos.
Envelhecimento,
um belo tormento.

As palavras chegaram,
escritas marcaram,
falas foram ouvidas e
vozes foram deixadas.


Me vi de mãos atadas,
da vida não saí ilesa.
Dos predadores
fui presa.


Hoje vejo,
guardo no peito e
aceito.
Tudo foi necessário,
relicário.

- Amanda Trevisani

Sim, o amor próprio diz muito sobre você, mulher. Mas muito além disso, ele pode também falar por você. Amar-se é essencial. Afinal, a maneira como nos amamos é a maneira que ensinamos o próximo a nos amar. 

Conhecer a si mesma, entender seus desejos, analisar as suas falhas e buscar a sua própria evolução são os pilares para começar a amar-se um pouco mais. E claro, jamais aceitar menos do que você merece. Quando entendemos o nosso real valor, não aceitamos migalhas. Aceitamos apenas o que vem por inteiro.

Acreditar. Devemos começar a acreditar que o nosso passado já não mais nos pertence. O presente, no entanto, está em nossas mãos. O que passou, passou. Ao menos, cada ferida te moldou e mudou. Podemos mudar o presente e esperar um futuro muito melhor. Não sabemos o que o amanhã trará, mas podemos aprender hoje a sermos versões melhores de nós mesmas a cada dia.

Somos capazes se acreditarmos que somos. Deixe de lado o ideal de comparação. Se for para se comparar, que seja apenas com você mesma. Toda mulher possui as suas peculiaridades e cada uma dessas peculiaridades não diminui, ou anula, nem as minhas e nem as suas. 

Empoderar-se não significa ser melhor do que o próximo. Empoderar-se é compreender que mesmo em um mundo tão grande, podemos deixar a nossa marca e o nosso legado. E assim como o universo, grandes são as nossas ideias, gigantes são os nossos sonhos e imensa é a vontade de realizar cada um deles. 

Por isso, empodere-se, erga a cabeça e ecoe o som de sua voz. Juntas somos mais fortes. Juntas corremos mais longe. Juntas fazemos história. Lado a lado somos muito melhores. 

- Amanda Trevisani

Já passa da meia-noite
Enquanto uns dormem
Outros se perdem em livros ou computadores
Outros trabalham, talvez já estejam voltando para casa
Ou apenas indo para o serviço
E eu estou aqui, com a cabeça no travesseiro
Sonhando acordado.

De tanto ver a felicidade alheia, me questiono
Quando será minha vez?
Até quando minha mente se alimentará apenas de migalhas da memória que, embora riquíssimas de detalhes, são apenas lembranças de momentos louváveis que já se foram?
Lembranças que alimentam desejos, que sem a esperança, não passam de tolice.

Sonho com o dia em que não serão "apenas" abraços
Quando terei mais tempo do que os dez segundo do temporizador da câmera para ter você no meu peito
É sonhar de olhos abertos com a oportunidade de tocar teu rosto e te olhar nos olhos sem nos constranger
É sobre sentar ao seu lado e ter sua cabeça apoiada no meu ombro

É ter seu olhar pra mim além da foto, é desejar ser seu.
Sonhar com o dia que ao chegar e partir, teremos algo além dos abraços já apertados e calorosos.
Me perco em devaneios acerca dos teus lábios, de conhecer seu beijo assim como já conheci seu abraço e uma amostra de seu carinho.
Me perder no seu beijo e deixar ele transbordar a paixão que tenho por quem você é. Mas não um beijo de alguém que só quer mais uma boca em uma lista de nomes, porém, quem não pensa na possibilidade de outra boca para se conhecer.

Afinal, o que nos sacia nos é suficiente e final.

Me engasgo e sufoco em desejos e sonhos
E nessa asfixia choro
De olhos abertos
Porque este sonho é pesado demais
Pra me permitir sonhar enquanto durmo
Pois não há sono maior do que o conjunto das inefáveis coisas que sinto por você
Mas que morrem aqui dentro
Perdidas nos meus pensamentos
E diluídas nas lágrimas que marcam o travesseiro onde repousa mas não descansa minha cabeça.

Boa noite para quem não sonha.



Stephen S. M.

Abri o caderno e nem sei o que escrever. Só queria que as palavras mudassem meu jeito de ser e ver o mundo. Tão imundo.

As pessoas que aqui vivem, nem sei se são daqui.
Cansei, me doei, me entreguei e me permiti.
Cansei, me doei, me entreguei e me arrependi.
Dei a cara à tapa. Apanhei.

Apanhei sentimentos mentirosos e cheios de ódio. Ganhei o pódio de primeiro lugar na insana vontade de querer dormir e não mais acordar.
A bondade perdi com a idade. Hoje, só vejo a maldade.

Daqui em diante, esquecerei a saudade. Afinal, tudo já está muito distante.
E nesse instante, não me desnudo mais.


Apenas me auto acudo, me coloco no mudo e me mudo para um mundo melhor.

- Amanda Trevisani

     

     Este texto é inspirado em uma dinâmica que foi realizada em aula pela minha professora de Psicologia na minha turma da faculdade. Sem sombra de dúvida, as aulas de Psicologia serão as aulas mais memoráveis que levarei de toda a minha graduação, e a professora será a mais memorável também. Ao longo do texto, espero que vocês entendam o porquê.

     Já estávamos no final da aula e também do dia, era por volta de 21h quando a professora pediu que pegássemos uma folha de papel em branco. Ela falou para imaginarmos uma pessoa para a qual quiséssemos dizer muitas verdades, aquelas famosas “poucas e boas” e que estivéssemos tendo a oportunidade naquele momento de dizer tudo aquilo que queríamos para aquela pessoa. E então pensamos um pouco e logo pudemos imaginar aquele papel preenchido com tudo que queríamos falar. Foi aí que a professora pediu para amassarmos o papel o máximo que conseguíssemos, e o fizemos. Depois, ela pediu para pegarmos aquela bolinha de papel e desamassar a fim de que ela ficasse o mais esticada possível. Todos fizeram novamente. Após isso, ela perguntou se a folha de alguém tinha ficado como estava antes de amassar e todos fizeram sinal negativo. E foi aí que ela nos ofereceu o mais belo conselho em forma de reflexão, dizendo:

“Pois é! Não dá para desfazer esses amassados, essa folha nunca mais será como antes. E é exatamente isso que acontece quando deixamos um momento de raiva falar mais alto. Esses amassados na folha são as marcas que vocês deixaram naquela relação em que disseram tudo que queriam para a pessoa. Foram marcas negativas e que não podem ser desfeitas. Às vezes, o que vocês disseram para a pessoa nem era exatamente o que vocês queriam dizer, ou pelo menos não de uma maneira tão autoritária e rude. Talvez, por um minuto a mais, vocês nem dissessem nada daquilo. Procurem pensar melhor e tentem deixar marcas positivas, as quais vocês gostariam que as outras pessoas lembrassem depois. Já pensaram em quais marcas vocês têm deixado na vida das pessoas? Vão para casa pensando nisto: Quais marcas vocês têm deixado? Até a próxima aula. Bom estar com vocês.”

     Eu não sei os meus colegas, mas eu realmente fui para casa pensando sobre isso. Pensei nas oportunidades que tive de falar tudo o que eu queria para alguém, e acabei me expressando da maneira errada por conta da raiva e criando marcas que perduram na minha relação com aquela pessoa até hoje. Já pensei também nas oportunidades que tive de rebater uma ofensa, mas sabiamente preferi me calar e fiz a relação andar de maneira diferente, provocando uma mudança positiva naquele relacionamento. E fui mais fundo, pensei em qual marca tenho deixado no mundo. Refleti sobre qual visão acerca de mim mesma tenho provocado nas pessoas que me cercam, a partir da minha maneira de falar com elas, de me posicionar quando algo me desagrada e da minha maneira de responder a uma crítica. Tudo isso me levou a enxergar o quanto ainda preciso melhorar como pessoa e como indivíduo que diz buscar a melhoria de um mundo tão cruel e carente de amor.

     É incrível como a simples atitude de se colocar no lugar do outro e tentar pegar os ouvidos e o coração dele emprestados faz toda a diferença.  Eu já falei coisas para pessoas que eu não gostaria de ouvir nem do meu pior inimigo. E também já falei coisas belíssimas que eu mesma nunca tinha escutado das pessoas que me cercavam. Nisso, eu percebi que preciso oferecer e ser aquilo que eu gostaria de receber. Mas precisei perder amigos e precisei da reflexão da minha maravilhosa professora-doutora e psicóloga clínica para aprender isso. E eu espero, de coração, que você não precise de muito para perceber que as suas relações podem estar escorrendo pelos seus dedos e se desfazendo por causa das suas palavras mal colocadas e mal pensadas em um momento explosivo e totalmente passageiro.

     Estamos perdendo cada vez mais o humanismo, que é aquele momento em que saímos do nosso egoísmo diário e passamos a esticar mais o braço para o outro. O humanismo também seria aquele momento em que entendemos que existe algo em nós que nos diferencia dos demais cidadãos que habitam a Terra e que não há nada de errado em ser diferente e conviver com as diferenças. Precisamos lutar para atingir uma segurança que nos permita manter uma relação saudável com nós mesmos e com os que nos cercam. A nossa existência precisa ser celebrada, e que essa celebração se estenda a todos que partilham do mesmo espaço que nós, com o objetivo de atingir aqueles que não partilham e estão localizados em esferas geográficas mais distantes. Assim, criaremos um ciclo vicioso, porém não mais de ofensas e rebatimentos, mas de amor, o amor que o mundo tanto carece.

     Vejo muita gente tatuando “empatia” no corpo, e esquecendo de tatuar no coração. Como minha professora disse: “um dos maiores problemas do mundo é a desumanidade do humano”. Que a gente possa refletir sobre o efeito que nossas palavras estão causando no outro, se elas estão contribuindo para que o mundo fique cada vez mais cruel, ou se estão contribuindo para o tal “mundo melhor” que tanto sonhamos. Porque às vezes parece que esquecemos que nós somos os próprios causadores de toda e qualquer desgraça existente no mundo, a começar pelo que sai da nossa boca.


     Quais marcas vocês têm deixado?


 "O que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem." (Mateus 15:11)



- Brígida Gabriela


Antes de começar, gostaria de avisar que o texto é bilateral, vale para ambos os lados. E leia até o final antes de querer me bater.

"Você é a mulher mais linda desse mundo". Quem nunca ouviu esta mentira?
Não, garota, você certamente não é a garota mais linda do mundo para o seu namorado (nem pra maioria das pessoas à sua volta). E não tem nada de errado nisto. Está tudo bem, acredite. Espero te provar isto até o final do texto.
Somos acostumados a ouvir e falar isso, é força do hábito e uma construção da nossa sociedade. Não dizer isto ou dizer algo diferente pode soar como um "não gosto mais de você", "tenho interesse em outra mulher". Mas vamos jogar com fatos: você certamente não é a mulher mais linda do mundo para o seu namorado (nem pra maioria das pessoas à sua volta). Mas entenda que está tudo bem. Isto não é um problema (ou ao menos não deveria ser).

Carregamos uma imagem errada de amor atrelado à beleza. Seu namorado provavelmente olha para a foto de outras garotas, atrizes, modelos e as acha mais bonitas do que você. Agora pare e pense um pouco: qual o problema disso senão o corrosivo ciúme que você pode acabar alimentando? Quem disse que amor é dependente da noção de beleza?
Amor vai além, amor não se limita à atração física/sexual (isso tem outro nome. E garotos: isso não justifica você quase quebrar o pescoço pra olhar uma "bundinha de academia"). Por mais que exista outra pessoa mais bonita do que você, isso não significa que aquela pessoa desperte mais sentimentos no seu namorado. Amor é algo que vem de dentro, que usa as aparências apenas como ponte pra ligar uma alma sedenta àquela que mata sua sede por outra pessoa.
Beleza é relativa e superficial, e seus padrões bem como a noção individual do que beleza é mudam constantemente neste mundo. Mas seu namorado vai enxergar a beleza de um sorriso bobo seu ou se encantar com seu olhar para ele. O amor é cego, de fato. Ele não precisa ver pra sentir, até porque o amor não é físico; é abstrato. Ele existe em uma outra dimensão da qual não temos acesso senão pelo próprio amor. Ele existe quando você acabou de acordar, descabelada e de cara torta ou quando está na maca de um hospital recebendo soro na veia.

É bem provável que alguma vez na vida tenha visto um casal e pensou "caramba, como uma garota tão linda ficou com um cara feio desse jeito?". Enquanto você olhava pra beleza exterior, que dentro de alguns anos irá se acabar (bem como a sua, lamento informar), a outra se deixava seduzir por uma alma bela. Agora me diga: qual tipo de casal você mais vê dar certo, o "casalzão" de insta que parecem dois modelos ou aquele casal mais ou menos que você não consegue entender de onde sai tanto amor?

Este mundo não passa de um teatro de aparências. E nessa de viver por fora, onde seios fartos e nádegas firmes valem mais do que uma intimidade de alma, onde ostentar likes em fotos parece mais sensato do que ter coragem e caráter de conhecer alguém e se deixar ser conhecido ao invés de sustentar uma imagem falsa de quem você é, relacionamentos medíocres e supérfluos reinam livremente trazendo desgosto e desgraça na vida de muitos. Feliz é quem não se deixa enganar, ama por dentro primeiro e não idolatra a volátil beleza.
E se você se olhar no espelho e bater aquela insegurança por não se achar tão bonita, bem, de fato você pode não ser tão bonita no espelho, mas o sorriso maravilhoso que você dá apaixonada pro seu namorado só ele vê. E foi isso que atraiu ele.

Feliz é quem foi seduzido por uma alma entregue nua e não por um escultural corpo despido.



Stephen S. M.

Quando você se foi, mudei toda a decoração da casa. Troquei o sofá e a mesa de lugar. Troquei as fotos dos porta-retratos e dei para a vizinha alguns vasos de flores.

Joguei fora os lençóis que costumávamos deitar e os tapetes que sentávamos para nos abraçar. Troquei os quadros de parede e os livros das prateleiras. 

Mudei o rádio de estante e doei alguns discos das nossas bandas preferidas. Ele não tocava mais a nossa música, afinal, ela não era mais nossa.

Tinha de ver, não havia nenhum rastro de memória.

Quando você se foi, mudei toda a decoração da casa. Esqueci apenas que o lar da mente ainda abrigava tuas lembranças. Eu tentei te esquecer por fora, mas tive de aceitar que o teu eu ainda estava presente dentro de mim. Cabia ao tempo me ensinar a jogar as cinzas de um amor morto no passado.

Quando você se foi, eu decorei a casa. 
Mas no fundo, tudo o que eu queria fazer era queimá-la.

- Amanda Trevisani


     Hoje eu vou falar sobre algo que todo mundo faz em relação a si mesmo: comparações. 

     Desde muito novos somos ensinados a fazer comparações. Ouvimos dos nossos pais: "seu irmão é mais estudioso que você", "seu irmão é mais educado", "seu irmão é magro", "seu irmão já está trabalhando", "não sei como eu acertei com ele e errei com você". Essa realidade incentivada em nossa própria casa nos formou seres humanos extremamente comparativos e o pior: sempre nos colocando lá embaixo em relação às outras pessoas. 

     Às vezes entramos na internet e vemos a foto de uma pessoa às três horas da tarde de uma terça-feira na Europa e pensamos: "caramba, a vida dela é maravilhosa, como eu queria ter uma vida assim", ou então vemos a imagem de alguém pedindo ajuda, passando dificuldade financeira ou de saúde, olhamos para nós e nos sentimos bem por não estarmos naquela situação. O estado do outro é sempre o que norteia a nossa visão acerca de nós mesmos. Ao ver alguém na pior, enxergarmos nossa vida bem, mas ao vermos alguém na melhor, enxergamos nossa vida mal.

     E no meio disso tudo, nasce o sentimento de inveja. E a inveja é uma das piores coisas que a gente pode sentir porque não há o que se fazer, pois nós nunca seremos aquela pessoa e nunca teremos a vida dela. E seguiremos sempre mal por causa disso. 

     Nós ficamos tão cegos que esquecemos que aquela pessoa que postou foto na Europa às três horas da tarde de uma terça-feira no Instagram pode não estar vivendo nada daquilo ali, que as pessoas fazem uma viagem de alguns dias e ficam o ano inteiro postando foto, que ela pode estar triste, se sentindo vazia, se sentindo fútil... Ou que até mesmo ela pode estar olhando o seu Instagram e desejando ter a sua vida, o seu trabalho, a sua faculdade...   

     Corriqueiramente vemos alguém que entrou na faculdade mais cedo que nós e nos entristecemos por termos entrado um pouco mais tarde porque precisávamos trabalhar. Já parou para pensar que essa pessoa pode estar desejando o seu emprego? 

     Ou então, lembra daquela pessoa que casou aos 18 anos e fez você se sentir mal por ter 25 e nem estar namorando ainda? Sabia que talvez ela se sinta mal até hoje por ter largado os estudos e pensa que deveria ter esperado um pouco mais? E se eu disser que ela também viu a foto da sua formatura na faculdade e desejou ter aquele diploma em mãos, você acredita? 

     Já vi gente invejar até mesmo o grupo de amigos de outra pessoa. Mas mal sabe que ela construiu aqueles amigos, que ela batalhou por eles, que teve que melhorar muita coisa nela mesma para hoje estar rodeada de amigos. Que teve que vencer timidez, arrogância, avareza, egoísmo... O processo de luta ninguém inveja, mas a vitória, ah... Essa todo mundo quer!  

     E será que a gente queria mesmo ter a vida daquele fulaninho? Será que ele é 100% feliz? Será que ele também não tem problemas na família? Será que ele também não vive se comparando com o irmão? Será que ele não se sente sozinho, vazio, triste, fútil...? Será que aquele feed maravilhoso no Instagram dele não é uma tentativa de ele enganar a si mesmo, de receber alguns elogios, de ver que tem gente desejando a vida dele e por causa disso tentar valorizá-la mais? 

     Pois é. Todo mundo está insatisfeito assim como você. E o fato de sempre achar a grama do vizinho mais verde revela insegurança em nós. Precisamos parar de fazer nossa vida girar ao redor da vida do outro, e fazê-la girar ao redor de si mesma. Tenhamos a nós mesmos como nosso principal padrão de comparação. 


     Tentemos superar a nós mesmos a cada dia, e não o nosso colega. E não a musa fitness do Instagram. E não a modelo milionária que vive na Europa. E não o fisiculturista famoso da TV. 

     Não ache que essas pessoas tiveram sorte. Todas elas batalharam pela realidade que desfrutam hoje. Sorte é o que acontece quando estamos em movimento gastando toda essa energia que temos para invejar o outro, em nós, investindo em nós mesmos e lutando pelo que há de ser nosso. Quando a gente investe em nós mesmos, nós crescemos e amadurecemos. E  quando amadurecemos, nos tornamos pessoas mais seguras e felizes com quem somos e com o que temos. Passamos a nos conhecer e nos amar mais e paramos de nos comparar, de nos rebaixar... Também paramos de querer provocar inveja no outro e passamos a querer provocar inspiração. Porque evoluímos, deixamos de ser aqueles indivíduos  insatisfeitos de antes, e atingimos o que meio mundo está loucamente buscando: a tal da satisfação. 

     A vida de ninguém é melhor do que a de ninguém. Precisamos parar de colocar uma escala de "quem está bem" e de "quem está mal" porque a visão que temos da vida do outro sempre será a mais superficial possível. Não estamos com o outro o tempo todo e não sabemos profundamente como ele vive. Às vezes ele pode ser a pessoa mais triste e frustrada do mundo e nós aqui de fora estamos desejando ter aquela vida para nós, pois estamos vendo só a capa exterior que cobre aquilo tudo. 

     A gente não vê os bastidores da vida de alguém, a gente só vê minutos dela, e minutos que ainda por cima que foram editados. As pessoas só vão compartilhar as coisas boas, fazendo parecer que a vida delas é uma bonança infinita, quando na verdade não é. Não acredite nessa rede de ilusões que a internet cria. Só porque alguém tem mais do que você, não significa que a vida dela seja melhor e a sua pior. Ninguém é melhor ou pior do que ninguém. Todo mundo está vivendo uma guerra que ninguém sabe. 

     Valorize mais quem você é e o que você tem. Pare de seguir no Instagram aquelas pessoas que fazem você se sentir mal e olhar para a sua condição com maus olhos. Afaste-se de tudo que provoca sentimentos ruins em você, inicie uma terapia se for preciso, abra-se com amigos verdadeiros, seja sincero consigo mesmo, reconheça o que precisa ser mudado e mexa-se para ser e ter tudo aquilo que você almeja! Porque se você não correr atrás disso, ninguém irá correr por você. Além da vida ser uma só, ela ainda é muito curta. Curta demais para você perder esse breve tempo apoiando-se em uma realidade paralela à sua. 

     E para fechar essa longa e reflexiva conversa: se você leu este texto significa que você tem um smartphone, um tablet, um notebook ou um computador de mesa. Significa também que você tem acesso à uma rede de internet. Sabia que esses dois fatos já te colocam na frente de MUITA gente aqui no Brasil? Mais precisamente,  de 25,7% da população brasileira, que vive marginalizada sem acesso a praticamente nada que é direito de todo cidadão. E estar à frente de 25% de mais de 207 milhões de pessoas é algo considerável, não é mesmo? Pois é... AGRADEÇA POR ISSO! 


- Brígida Gabriela


(trilha sonora sugerida: Evanescence - October)

Eu trilhei diversos caminhos. Trilhas pesadas, caminhos de pedra, rotas íngremes. Segui por lugares que nem mesmo eram caminhos, embora eu achasse que fossem, ou apenas mentia para mim no desespero de me achar em algum lugar.
Quando me encontrei à beira do penhasco, já não estava nem um pouco afim de caminhar mais. Era mais fácil ficar sentado esperando socorro, mas nem deu tempo: quando pensei em desistir, eu caí. Foi a sensação mais estranha que já tive.
Não, não foi estranho cair. A sensação da queda livre é até que prazerosa. Estranho foi cair em seus braços. Por que você me segurou? Justo eu?

Eu só queria chorar. Cansado, me entreguei à você. Eu não tinha muito a fazer. Me desculpe chegar nesse estado, mas eu juro que só estava buscando um caminho. Graças a Deus você era forte o suficiente pra me segurar.
Depois de tanto cuidar de mim, quem diria, aqui estou eu, ainda caindo.
E eu tenho gostado disso.

Tenho tropeçado nos seus suspiros quando olha pra mim. Aprisionado por seu olhar apaixonado, esqueço de olhar pra frente, tropeço e caio. Caio no seu amor, caio no seu afago. É difícil não me prender no seu olhar: como eu amo ele!
Seu sorriso bobo me põe no chão e me mantém ali. Não tenho forças pra lutar contra e resistir ao encanto da sua mais sincera e explícita expressão de paixão. É difícil dizer se é seu sorriso largo ou seu olhar profundo que golpeia mais fortemente meu coração e rende minh'alma. Amo os dois, amo você.
Descuidado caí na sua graça, que me acolheu indiscriminadamente. Mesmo ferido, fraco e pobre, você me acolheu enquanto eu caia. E não haveriam cuidados melhores do que os seus.

Quando desisti, você se determinou.
Quando me entreguei, você me aceitou.
Quando tropecei, você me segurou.

Amor, eu cai. Caí de encantos por você, caí nos seus braços de amor.


Stephen S. M.
     


     Equilíbrio é uma palavra que até pra falar, se não tiver cuidado, a língua embola. Se pra língua é difícil pronunciar, imagina pro cérebro e pro coração... 

     Encontrar o equilíbrio entre razão e emoção é o sonho da vida de muita gente, no entanto o que as pessoas não sabem é que elas não precisam ser reféns da relação desarmônica entre o coração e a mente delas a vida inteira. Nós não estamos condenados a viver eternamente com o desequilíbrio, porque ao contrário da ideia de "destino", ele pode e deve ser trabalhado, mudado... É claro, se tivermos força de vontade para sair da zona de conforto e lutar contra o maior gigante de nossas vidas: nós mesmos. 

     Minha professora de Psicologia me falou há um tempo atrás sobre aqueles monges que se isolam do mundo e vão para os montes meditar. Ela disse que parou para observar um deles uma vez e viu que ele estava meditando de baixo do sol muito forte com uma roupa escura e com um tecido muito grosso, e o que mais despertou admiração nela foi que o ambiente nada propício para uma meditação não o atrapalhava de forma alguma. E ela chegou a uma conclusão: quando conseguimos dominar a nós mesmos, nada consegue nos roubar de nós. 

     É muito difícil dominar a si mesmo, fazendo o coração e o cérebro dançarem no mesmo ritmo. Eu não consegui esse equilíbrio ainda e não estou nem perto, mas uma coisa eu sei: ele tem a ver com o autoconhecimento. Quando reconhecemos quais são nossos pontos fracos e nossos pontos fortes, podemos escolher qual deles vamos alimentar para nos fortalecermos diante da figura que nos é mais intimidadora: o nosso reflexo. 

     Somos movidos por emoções e muitas vezes nosso coração rege nossas escolhas, mas o coração não consegue fazer ponderações, médias, estatísticas, seleções... Isso é dever da mente. A mente que, por sua vez, não consegue olhar a situação com sensibilidade, com amor, com devoção... Perceberam? Um complementa o outro e juntos formam o trabalho perfeito. 

     É preciso fazer esses dois pararem de se bicar e entenderem que um sem o outro não funciona. Mas antes, quem precisa entender isso somos nós. Nós, que muitas vezes passamos por cima de valores, princípios e bases sólidas em prol de um "afeto" que muitas vezes foi passageiro e só nos fez mal. Nós, que agimos com a razão e perdemos aquela oportunidade única de demonstrar e receber amor porque estávamos fechados para o sentimento mais puro que existe. Nem a falta e nem o excesso são bons, o equilíbrio é o ideal. 

     Eu também estou em processo para atingir o tão sonhado equilíbrio, e acredito que a vida seja um processo infinito em que adquirimos aprendizagem. Mas nessa caminhada, se tem uma coisa que eu compreendi foi que a minha luta não é contra um sentimento, contra atitudes impensadas, contra indisciplina, contra a displicência... Nada disso! Eu entendi que a luta é contra mim mesma e eu só vou vencer naquilo que preciso vencer quando eu entender que tenho o poder para orquestrar todo caos que existe dentro de mim. 

Esse caos que existe no teu interior só irá se transformar em uma bela, harmônica e doce melodia quando entenderes que... O maestro à frente dessa orquestra é VOCÊ! 


- Brígida Gabriela

Eu não acredito mais. Se um dia acreditei em seu amor, hoje já não acredito mais.
Tudo o que um dia acreditei, se foi igual ao beijo desesperado que te dei.
Já nem sei. O que eu acreditava era de fato amor ou me precipitei na dor?

Vivi o que hoje não vivo mais. Sonhei o que hoje considero um pesadelo. Sem nenhum zelo, você me mudou. Me libertou.
Tirou a venda de meus olhos, curou minha cegueira e me permitiu enxergar novamente.

Hoje estou ciente de que você não vai mudar. Mas eu mudei. Não vivo mais em você.
Enquanto eu me mudei para a casa de mim mesma, você ainda tenta me habitar.
Eu sei, é difícil sair do lugar que costumava ser seu lar. Mas calma, por aí tem várias casas para alugar.

Felizmente, hoje quem habita meu teto baixo não é mais o falso amor. Afinal, meu teto é baixo. Só não é tão baixo quanto o que você chama de alto amor.

- Amanda Trevisani

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Feito por pessoas comuns

Assim como você, sofremos com os dramas que a vida nos trás. Sejam eles dentro de relacionamentos, dentro de trabalho, dentro de faculdade... A vida é no entanto, meio dramática mesmo.
Escrever é observar os pequenos detalhes que podem tornar este drama, um clássico com premiação de tapete vermelho.

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