Ontem o ônibus atrasou.
Ontem o ônibus atrasou. Esperei minutos, quase horas, para que ele chegasse. Chegou cheio e algumas pessoas saíram. Mas ficou ainda mais saturado de pessoas quando entrei. Lotação máxima.
Ontem o ônibus atrasou e a viagem não foi boa, tampouco confortável. Foi apertada. Eu não cabia ali, mas me forcei a permanecer.
Ontem o ônibus atrasou e o trajeto aparentou ser mais longo que o normal. Eu conhecia o caminho, mas não me encontrava nele. O tempo ali dentro demorava a passar, assim como demorou para o ônibus chegar.
Ontem o ônibus atrasou e meus horários desandaram. Cheguei atrasada onde precisava, por algo que não estava sob o meu controle. Não tive culpa.
Ontem o ônibus atrasou e trouxe alguém inesperado. Alguém que quando chegou, estava cheio. Cheio de bagagens e experiências fracassadas dentro de si mesmo. Quando adentrei, não tinha espaço para mim. Quando adentrei, tentei me encaixar onde não era meu lugar. Quando adentrei, esqueci meu relógio e acabei me atrasando por algo que não tive culpa.
Ontem o ônibus atrasou e não tinha intenção de ficar parado por muito tempo. Assim como você, ele queria partir para sua próxima parada e continuar rodando a cidade.
Ontem o ônibus atrasou, mas tive de adentrá-lo. A viagem foi ruim, porém necessária. Afinal, foi ela que me fez querer alcançar insanamente o destino final.
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Amanda Trevisani
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