Quando eu deixei de procurar
Eu já passei por um sério processo de querer muito
alguém. Já me martirizei por uma pessoa que não dava nem o ar, quanto mais a
bola cheia. Já pensei que o problema era comigo, com meu jeito de ser, com meu
corpo, até mesmo com o meu saber. Já disse que o problema era do universo e
essa imensidão de nadas que ele resolve colocar na minha vida. Já culpei até
mesmo Deus por estes tropeços no amor que dou.
Mas eu também já estive do outro lado, sendo a que
fazia sofrer. Sendo a pessoa que machucava um coração sem dó nem piedade. Já
fui a dona de um relacionamento onde nem deveria ter dono. Deixei meu ego falar
mais alto, subi a voz e perdi a razão tantas vezes que nem me lembro.
Com o tempo, vi que bom mesmo é ter alguém com quem
caminhar lado a lado. Que estar e ser presente na minha vida de uma pessoa,
seja da forma que for, é uma coisa rara e tão linda. Se preocupar com o horário
de dormir, alimentação, o que deixa ou não de fazer, até mesmo com coisas bobas
como quantos sorrisos o seu amado deu hoje, e se você contribuiu para pelo
menos um deles, é uma dádiva.
A vida me mostrou que estar de mãos dadas, mesmo
que em meio a contramão, é melhor do que estar atrás, me desgastando,
maltratando, me diminuindo para alcançar mãos que sempre estarão longe o bastante
para serem alcançadas. E também é melhor do que estar à frente demais, deixando
o meu eu falar mais alto, sendo superior, e querendo mandar em algo onde não
deveria existir dono.
E
quando percebi isso, você chegou e me mostrou essa linha tênue entre amor e
harmonia. Fazendo assim, meus olhos virarem para o lado e meus dedos, enfim,
entrelaçarem as suas mãos grossas e grandes. Você me mostrou que ficar para
trás é péssimo, mas que querer andar mais a frente é solitário, e que bom mesmo
é estar do seu lado, amando e sendo amada. E encontrando um novo motivo para
sorrir a cada novo amanhecer.
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Julia Melo

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